Crise de liquidez no BRB leva governadora a buscar apoio no mercado financeiro em São Paulo
09 abril 2026 às 14h54

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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), cumpre agenda em São Paulo nesta quinta-feira, 9, ao lado do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em meio a uma nova crise de liquidez enfrentada pela instituição. A comitiva participa de reuniões na Faria Lima e também tem encontro previsto com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo.
De acordo com fontes próximas ao banco estatal, foi registrada uma saída relevante de capitais na terça-feira, 7, após a auditoria contratada pelo BRB concluir as apurações sobre fraudes relacionadas ao Banco Master e encaminhar o relatório à Polícia Federal.
Em nota divulgada na noite de terça, Celina afirmou que a agenda na capital paulista tem como objetivo apresentar o cenário atual do BRB e discutir alternativas para o fortalecimento da instituição. Já nesta quarta-feira, 8, declarou que o apoio do governo é de caráter institucional. O BRB não se manifestou.
Com o avanço das investigações e a identificação de irregularidades, aumentaram as preocupações em relação à solidez do banco estatal. O BRB ainda não publicou o balanço financeiro de 2025 e adiou a divulgação dos resultados, sem detalhar o tamanho do prejuízo relacionado ao Master nem a necessidade de aporte.
Desde o início da crise envolvendo o banco ligado a Daniel Vorcaro, o BRB passou por episódios semelhantes, incluindo uma saída de capitais no dia da Operação Compliance Zero, realizada em novembro. Como medida para recompor liquidez, a instituição tem ofertado carteiras de crédito consignado, financiamento imobiliário e empréstimos a estados e municípios para outras instituições financeiras.
Diante desse cenário, Celina Leão, que assumiu o governo há uma semana após a saída de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado, segue para São Paulo com o objetivo de buscar alternativas junto ao mercado.
Na capital paulista, além da reunião com Galípolo, o BRB realiza uma nova rodada de negociações na Faria Lima com bancos privados, na tentativa de viabilizar apoio financeiro. Entre as possibilidades em análise estão a venda de ativos e a contratação de empréstimos com garantias do governo distrital.
Segundo a direção do banco, a instituição possui cerca de R$ 21 bilhões em ativos provenientes do Banco Master, mas enfrenta dificuldades para negociar essas carteiras, que estão sob suspeita de investigadores e agentes do mercado financeiro. Internamente, a avaliação é de que há pouca disposição de compra ou interesse apenas em valores reduzidos.
Além da restrição de liquidez, o BRB também enfrenta impacto no patrimônio e um déficit em seu balanço. Para recompor essa situação e manter as operações, será necessário um aporte do governo do Distrito Federal. Um projeto de lei já foi aprovado prevendo a utilização de nove imóveis como parte da solução, mas a capitalização ainda não foi efetivada. O banco convocou assembleia de acionistas para discutir o plano no dia 22 de abril.
Em nota emitida na noite de terça-feira, 7, a governadora do DF disse que a agenda em São Paulo tem como objetivo apresentar o cenário atual do BRB e dialogar sobre alternativas para o fortalecimento da instituição.
“A iniciativa faz parte das ações em curso para assegurar a estabilidade, a credibilidade e a sustentabilidade do banco, com foco na proteção do interesse público e no desenvolvimento econômico do Distrito Federal”, disse Celina, por meio da assessoria de imprensa. Nesta quarta-feira, 8, após ser questionada pelo Estadão, a governadora declarou que seu apoio é institucional.
Com informações Estadão*
