A alta demanda por atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas levou a Prefeitura a iniciar discussões sobre mudanças no modelo de gestão das unidades. A proposta foi apresentada pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus) durante reunião com o Conselho Municipal de Saúde (CMS), realizada na tarde de segunda-feira (9), no auditório da Superintendência do Ministério da Saúde no Tocantins.

De acordo com dados apresentados pela pasta, as duas UPAs da capital foram projetadas para realizar cerca de 900 atendimentos por dia, mas atualmente registram média de 2.232 atendimentos diários — volume quase 250% superior ao previsto. A secretaria também destacou que 80,9% da população de Palmas depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Com o crescimento populacional, a estimativa da gestão municipal é que a demanda por atendimentos de urgência e emergência nas UPAs aumente 8,3% ao longo deste ano, o que pode resultar em aproximadamente 870 mil atendimentos anuais.

Diante desse cenário, a Semus apresentou ao conselho um estudo com propostas para reorganizar o funcionamento das unidades e enfrentar pontos críticos que vêm sendo apontados por órgãos de controle, pela imprensa, pela população e pelo próprio CMS. Segundo a secretaria, a intenção é modernizar a gestão e melhorar a qualidade do atendimento prestado.

A pasta também ressaltou que a proposta em discussão não prevê privatização nem terceirização das UPAs e que o caráter público do serviço será mantido. A ideia, conforme a secretaria, é adotar um modelo que permita ampliar serviços considerados essenciais e tornar a gestão mais eficiente.

Entre as medidas avaliadas estão mudanças nos processos de aquisição de insumos e na organização de serviços já terceirizados nas unidades, como exames laboratoriais e de imagem, limpeza, segurança e manutenção predial. O estudo também aponta a necessidade de fortalecer o atendimento na atenção básica, com ampliação do horário de funcionamento das Unidades de Saúde da Família (USF) e habilitação de novas equipes.

A prefeitura informou que o debate sobre a proposta continuará nos próximos dias com o Conselho Municipal de Saúde. A gestão também já iniciou conversas com vereadores e sindicatos de servidores e pretende dialogar com órgãos de controle.