Desvio de R$ 650 mil em projetos esportivos para população vulnerável leva à indiciamento de 10 pessoas em Palmas
26 fevereiro 2026 às 11h22

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A Polícia Civil do Tocantins concluiu a investigação sobre um esquema de desvio de recursos públicos em convênios destinados a projetos esportivos e recreativos em Palmas, apontando um prejuízo de mais de R$ 650 mil aos cofres municipais e impactos diretos em iniciativas voltadas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ao todo, dez pessoas foram indiciadas.
De acordo com o relatório final do inquérito, conduzido pela Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR), os valores que deveriam financiar atividades esportivas e ações de prevenção ao uso de drogas não chegaram ao público-alvo. Segundo a investigação, os projetos previstos não foram executados, o que teria privado crianças e jovens de oportunidades de inclusão social e proteção.
O prejuízo financeiro identificado chega a R$ 650.869,04, em valores atualizados, referente a convênios firmados em 2014. Além do impacto direto ao erário, a apuração destaca que a ausência das atividades previstas representa dano social relevante, uma vez que os recursos tinham como objetivo atender comunidades vulneráveis por meio do esporte.
As investigações apontaram que o esquema teria sido estruturado para viabilizar a liberação dos recursos sem a execução real dos projetos. Conforme a Polícia Civil, convênios eram formalizados apenas no papel, enquanto os valores repassados eram desviados logo após o pagamento.
Entre os indícios reunidos durante a apuração estão a criação de uma comissão de análise de projetos considerada fictícia, a tramitação acelerada para liberação de recursos em poucos dias e o uso de empresas de fachada para emissão de notas fiscais falsas. Segundo a polícia, os valores eram sacados integralmente no mesmo dia do crédito e posteriormente distribuídos entre integrantes do grupo investigado.
Ainda conforme o inquérito, os recursos teriam sido pulverizados em contas bancárias de agentes públicos, operadores financeiros e terceiros, em uma dinâmica que pode configurar lavagem de dinheiro.
Os dez indiciados respondem, em tese, por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitações e contratos e associação criminosa. Entre os investigados estão ex-gestores de uma fundação pública responsável pelos convênios, dirigentes da entidade beneficiada, operadores financeiros e um ex-agente político apontado como possível beneficiário dos valores.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que a conclusão do inquérito evidencia um esquema estruturado de desvio de recursos públicos e destacou que os valores desviados deveriam ter beneficiado crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A corporação também informou que a Operação Jogo Limpo continua em andamento, com outros desdobramentos ainda em apuração.
