Relatos de famílias e de um denunciante colocaram sob questionamento a oferta de suporte a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede privada de ensino em Palmas. A denúncia aponta que escolas estariam condicionando o acompanhamento especializado ao pagamento por parte dos pais, o que levanta dúvidas sobre o cumprimento da Lei Federal nº 12.764/2012, que trata dos direitos das pessoas com TEA.

De acordo com o autor da denúncia, visitas a diferentes unidades indicaram um padrão semelhante de resposta: o auxílio terapêutico escolar não seria fornecido diretamente pelas instituições, ficando a cargo das famílias a contratação do profissional ou a busca por cobertura via planos de saúde. A situação teria sido identificada em escolas como Encanto, Madre Clélia Merloni, Vagalume, Mackenzie, Olimpo, Colégio Adventista e Colégio São Francisco.

Consulta processual do caso | Fonte: MPTO

A partir dessas informações, o Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) passou a acompanhar o caso com a abertura de um procediento preparatório. Até o momento, o órgão informou que encaminhou ofícios às instituições citadas, solicitando esclarecimentos sobre as práticas adotadas para identificar se há transferência indevida de custos às famílias, em desacordo com a legislação vigente.

As respostas enviadas pelas escolas estão em fase de análise e conforme o Ministério Público, o andamento do caso poderá incluir novas requisições de informações, recomendações ou outras medidas extrajudiciais, a depender dos elementos apurados.

O Jornal Opção Tocantins entrou em contato com as escolas citadas solicitando um posicionamento e agaurda retorno.

Confira a nota à imprensa do Colégio São Francisco na íntegra:

Nota à imprensa

O Colégio São Francisco informa que responderá, dentro do prazo estipulado, à solicitação do Ministério Público Estadual (MPE).

Esclarece, ainda, que não realiza cobrança de mensalidades diferenciadas nem de taxas adicionais para estudantes com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e não nega o acesso e a permanência desses alunos.

A instituição elabora o Plano Educacional Individualizado (PEI) e disponibiliza profissionais, bem como todas as adaptações necessárias para o atendimento aos estudantes com necessidades educacionais especiais.