Esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis envolve críticas de deputado do PT a Bolsonaro e Nikolas Ferreira

28 agosto 2025 às 14h36

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Uma operação de grande porte realizada nesta quinta-feira, 28, mobilizou aproximadamente 1.400 agentes do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Denominada Operação Carbono Oculto, a ofensiva tem como alvos mais de 350 pessoas físicas e jurídicas investigadas por participação em um esquema comandado pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC), com foco no setor de combustíveis.
De acordo com informações do g1 e de outros veículos, as suspeitas abrangem sonegação de impostos que somam R$ 7,6 bilhões, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
As apurações apontam irregularidades em diferentes etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis, com reflexos para consumidores e para a economia formal.
Segundo as investigações, o PCC estruturou uma rede de empresas, incluindo fintechs, fundos de investimento e postos de combustíveis, para mascarar a origem de recursos ilegais e ampliar os lucros.
Um dos eixos principais do esquema envolve a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, utilizado para adulterar combustíveis e gerar ganhos bilionários.
Dados levantados mostram que cerca de 1.000 postos de combustíveis em 10 estados movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma fintech identificada pela investigação teria atuado como “banco paralelo” do grupo, movimentando sozinha R$ 46 bilhões no período.
Investimento sob controle da facção
A Receita Federal localizou 40 fundos de investimento avaliados em R$ 30 bilhões sob controle da facção. Esses ativos foram usados para aquisição de usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras e imóveis de alto padrão, entre eles uma residência em Trancoso (BA) estimada em R$ 13 milhões.
No campo político, o deputado federal Jorge Solla (PT-BA) relacionou o caso a medidas recentes no Congresso e no Executivo. Em suas redes sociais, ele declarou que “a PF identificou atuação do PCC no setor de combustíveis” e destacou que “quem privatizou a BR Distribuidora e a RLAM” foi o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto “quem votou contra monitorar fintechs” foi o deputado Nikolas Ferreira.
Solla acrescentou ainda a pergunta: “Acredita em coincidências?”, sugerindo que determinadas decisões políticas podem ter facilitado a inserção de organizações criminosas no setor. Ele também criticou a posição da direita em relação à taxação de grandes fortunas, relacionando a ausência de regulação ao avanço do crime.
A BR Distribuidora, hoje chamada Vibra Energia, e a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada na Bahia, foram privatizadas entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, sob o argumento de aumentar eficiência e competitividade.
Defesa da venda de ativos estratégicos
Setores contrários a essas privatizações defendem que a venda de ativos estratégicos e a flexibilização de normas abriram espaço para a atuação de organizações criminosas.
No caso das fintechs, a Receita Federal ressaltou que a revogação de regras de transparência em 2025, como a e-Financeira, ampliou a fragilidade do sistema, favorecendo o uso de contas-bolsão para movimentar recursos de forma oculta.
O tema foi debatido no Congresso, onde parlamentares, entre eles Nikolas Ferreira, se posicionaram contra propostas de fiscalização mais rígida.
A Operação Carbono Oculto é apontada como a maior ação conjunta de combate ao crime organizado já realizada no país, reunindo diferentes órgãos de investigação e controle.
Além da esfera criminal, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) anunciou a intenção de bloquear R$ 7,67 bilhões em bens com o objetivo de recuperar tributos sonegados.
A ofensiva também conta com apoio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP), responsáveis por reforçar medidas de fiscalização e recuperação fiscal.