A assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz está prevista para a próxima sexta-feira, 19, na Suíça. A informação foi divulgada pelo Paquistão, que atuou como principal mediador das negociações. Segundo o governo paquistanês, os dois países chegaram a um entendimento neste domingo, 14. Os detalhes do acordo, no entanto, não foram divulgados imediatamente.

De acordo com as informações disponíveis, o pacto prevê o fim do conflito e a reabertura do Estreito de Ormuz. Questões relacionadas ao programa nuclear iraniano deverão ser tratadas em discussões posteriores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um acordo havia sido alcançado e disse ter autorizado o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos no Estreito de Ormuz, imposto em retaliação ao controle do Irã sobre essa importante via navegável. “Parabéns a todos!”, escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando: “Por meio deste, autorizo ​​integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo ​​a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos.”

O Irã prevê que a reabertura do Estreito de Ormuz ocorra em até 30 dias, segundo informações divulgadas pela agência Mehr, ligada ao regime iraniano. Anteriormente, os Estados Unidos já haviam sinalizado que pretendiam aliviar o bloqueio aos portos iranianos com a reabertura da passagem marítima. O governo norte-americano também concordaria em flexibilizar as sanções ao país, permitindo a ampliação das vendas de petróleo e o fortalecimento da economia iraniana.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo na televisão estatal, mas disse que o Irã não começaria a implementá-lo até que fosse assinado na sexta-feira. Gharibabadi disse ainda que que a previsão é de um acordo final em um prazo de 60 dias. Após o anúncio do acordo de paz entre EUA e Irã, com a reabertura do Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo caiu. O petróleo bruto Brent, referência global, caiu 4%, chegando a US$ 84 por barril (R$ 426, na cotação atual). Já o preço do petróleo West Texas Intermediate (WTI), a referência dos EUA, também registrou queda e está a US$ 81 por barril (R$ 411), segundo o jornal “The New York Times”.

Nenhuma das duas partes divulgou, oficialmente, o conteúdo do novo acordo. No entanto, a imprensa norte-americana e a iraniana publicaram alguns pontos com base em fontes dos dois governos. A rede de TV CNN Internacional afirmou, com base em fontes do regime iraniano, que o memorando prevê que: Haja um novo cessar-fogo de 60 dias em ‘todas as frentes’, incluindo o Líbano; O Estreito do Ormuz seja reaberto imediatamente. O Irã não cobre taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias; Os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz; Sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente; O Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.

A agência de notícias Reuters ouviu de uma fonte do governo norte-americano que o acordo prevê que: O Estreito de Ormuz será reaberto; O programa nuclear iraniano será desmantelado; O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados pelas sanções até que cumpra sua parte do acordo.

Já a imprensa estatal iraniana divulgou na sexta-feira que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência de notícias iraniana Mehr diz o memorando de entendimento deve: Suspender as sanções dos EUA contra o Irã; Retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país; Levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz; Interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.

As negociações sobre temas ainda pendentes, incluindo o programa nuclear iraniano, deverão prosseguir pelos próximos 60 dias, segundo dois altos funcionários paquistaneses ouvidos no início deste domingo. As fontes falaram sob condição de anonimato por não terem autorização para tratar do assunto publicamente. De acordo com os interlocutores, o prazo poderá ser ampliado caso não haja um entendimento entre as partes dentro do período previsto. Na avaliação dos funcionários, o acordo tende a restabelecer o cenário existente antes da guerra. O contexto, porém, é marcado por milhares de mortos e por uma nova posição do Irã nas negociações, atribuída à sua capacidade de influenciar a navegação no estreito.

Apesar dos objetivos declarados por Estados Unidos e Israel ao iniciarem a guerra em 28 de fevereiro, com ataques que resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei , Teerã continua mantendo um programa de mísseis, apoio a grupos armados na região, como o Hezbollah, e um estoque de urânio altamente enriquecido destinado ao seu programa nuclear.

O conflito também teve impactos sobre o Estreito de Ormuz. A hidrovia é considerada essencial para o transporte de grandes volumes de petróleo, gás natural e produtos relacionados, como fertilizantes. Seu fechamento efetivo provocou abalos na economia global.

O filho de Khamenei é agora o líder supremo, embora não tenha sido visto em público desde o início da guerra. Sua aprovação era necessária para que o Irã aprovasse o acordo.

O Irã queria que o acordo de cessar-fogo incluísse os combates no Líbano, onde Israel intensificou sua invasão como nunca antes em mais de um quarto de século, visando o Hezbollah. Teerã também solicitou a liberação de bilhões de dólares em fundos congelados.

O acordo emergente foi duramente criticado pelo governo de Israel e por opositores dentro do próprio Partido Republicano de Trump.

Nas horas que antecederam o anúncio, surgiram sinais de atrito dentro do Irã. No início deste domingo, o governo alertou que eventuais divisões internas em torno do acordo poderiam enfraquecer sua posição nas negociações.

Em meio ao debate, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, defendeu a união nacional e afirmou ser uma “vergonha” que alguém suba à tribuna do parlamento para chamar de traidor qualquer pessoa envolvida nas negociações. Também houve críticas ao entendimento por parte de alguns setores, que argumentaram não haver avanços em relação aos termos do acordo nuclear firmado com o Irã em 2015. O pacto foi abandonado pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump, que continua classificando o acordo como “ruim”.