Ex-príncipe Andrew é preso no dia do aniversário sob suspeita ligada ao caso Epstein
19 fevereiro 2026 às 11h27

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O ex-príncipe Andrew foi preso na manhã desta quinta-feira, 19, data em que completou 66 anos, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A detenção ocorreu na propriedade de Wood Farm, em Sandringham, no condado de Norfolk, e foi confirmada pela polícia de Thames Valley.
Em nota, a corporação informou que “um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk” foi detido e permanece sob custódia. Como é praxe no Reino Unido, o nome do suspeito não foi oficialmente divulgado. A polícia também comunicou que realiza buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. O crime investigado pode, em tese, resultar em pena de prisão perpétua.
A operação teve início pouco depois das 8h (horário local), quando seis veículos descaracterizados e cerca de oito agentes à paisana chegaram à residência de cinco quartos situada na vila de Wolferton. Parte das viaturas entrou pela frente do imóvel, enquanto outras acessaram a área pelos fundos. Um dos policiais foi visto transportando um computador de uso oficial.
A investigação está relacionada ao caso envolvendo o financista norte-americano Jeffrey Epstein. Em 11 de fevereiro, documentos tornados públicos indicaram que Andrew, irmão do rei Charles III, teria repassado informações confidenciais ao empresário. O Ministério Público britânico informou estar em contato com a polícia sobre as suspeitas.
Andrew exerceu a função de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional entre 2001 e 2011. De acordo com um e-mail datado de 24 de dezembro de 2010, ele teria encaminhado a Epstein um relatório confidencial sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. Outros documentos apontam que, no mesmo ano, o então enviado comercial teria compartilhado relatórios sobre viagens oficiais à China, Cingapura e Vietnã.
As informações se somam às acusações já tornadas públicas no contexto do caso Epstein. Virginia Giuffre, uma das vítimas do financista, apresentou acusações de agressão sexual contra o ex-príncipe e morreu em 2025. Outra mulher afirmou, por meio de seu advogado, que foi enviada à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com Andrew. Um terceiro relato, divulgado por advogado nos Estados Unidos, aponta que uma cliente teria sido forçada a manter relações sexuais com Epstein e o ex-príncipe durante uma festa na Flórida, em 2006.
Paralelamente, o Ministério Público também mantém contato com a polícia de Londres em investigação que envolve Peter Mandelson, ex-embaixador britânico em Washington, suspeito de ter compartilhado documentos confidenciais com Epstein.
No comunicado oficial, o chefe assistente de polícia Oliver Wright afirmou que a abertura do inquérito ocorreu após “avaliação minuciosa” das alegações. Ele ressaltou que a corporação busca preservar a integridade e a objetividade da apuração e que novas informações serão divulgadas oportunamente, diante do interesse público no caso.
