Executivos do Banco Master deixam prisão após decisão do TRF-1
29 novembro 2025 às 12h18

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A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares levou à libertação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros quatro executivos da instituição. Vorcaro deixou o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos no fim da manhã deste sábado, 29, usando tornozeleira eletrônica e acompanhado por seus advogados, após ter passado parte da semana na superintendência da Polícia Federal em São Paulo e, posteriormente, no CDP.
A determinação judicial foi assinada pela desembargadora Solange Salgado, que também autorizou a soltura de Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do banco; Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, Recursos Humanos, Operações e Tecnologia; Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição. Agora em liberdade, todos deverão cumprir medidas restritivas, como o uso de tornozeleira, apresentação periódica à Justiça, proibição de contato com investigados, testemunhas e funcionários do Master e do BRB, além da manutenção de seus passaportes retidos e da impossibilidade de deixar o município onde residem sem autorização judicial.
Na decisão, a magistrada afirmou que, embora os fatos apurados sejam graves e envolvam valores expressivos, as medidas alternativas à prisão se mostram suficientes, neste momento, para assegurar o andamento da investigação, preservar a ordem econômica e reduzir o risco de fuga.
A defesa de Vorcaro havia acionado o Supremo Tribunal Federal um dia antes, questionando a competência da Justiça Federal de Brasília para conduzir o caso e alegando falta de elementos concretos que justificassem a manutenção da prisão. O recurso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, sem previsão de julgamento. No pedido, os advogados também sustentaram que não há risco de o empresário interferir na instituição ou repetir supostos crimes, uma vez que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Compliance Zero, autorizada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília. A investigação apura supostas fraudes na negociação de títulos de crédito vendidos ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a Polícia Federal, o Master teria comercializado papéis irregulares e oferecido Certificados de Depósito Bancário com promessa de rendimento até 40% acima da taxa básica do mercado, oferta considerada irreal pelos investigadores. As suspeitas apontam movimentação financeira que pode ter alcançado R$ 12 bilhões.
No dia da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e bloqueou os bens de controladores e ex-administradores.
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