Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela
04 janeiro 2026 às 18h26

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As Forças Armadas da Venezuela reconheceram neste domingo, 4, a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão segue entendimento do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), que determinou a sucessão após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas.
Em pronunciamento em vídeo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que a instituição militar acata a decisão judicial e reforçou o apoio à nova chefia do Executivo. Na mesma declaração, ele condenou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação de Maduro, detido no sábado, 3, durante uma operação militar em Caracas.
Segundo López, a ação norte-americana representa uma ameaça que extrapola as fronteiras venezuelanas. “Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”, afirmou. O ministro também criticou o que classificou como uma postura “colonialista” inspirada na Doutrina Monroe e pediu que a população retome gradualmente suas atividades nos próximos dias.
A captura de Maduro ocorreu após explosões registradas em diferentes bairros da capital venezuelana. Durante a ofensiva, o presidente e a primeira-dama, Cilia Flores, foram detidos por forças de elite dos Estados Unidos e levados para Nova York. O episódio marcou mais uma intervenção militar direta norte-americana na América Latina.
A última ação desse tipo havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando os Estados Unidos invadiram o país e prenderam o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico. No caso venezuelano, o governo norte-americano acusa Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como “De Los Soles”, embora não tenha apresentado provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência da organização.
Durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Analistas e críticos da operação avaliam que a ação tem motivação geopolítica, com o objetivo de reduzir a influência de países como China e Rússia na Venezuela e ampliar o controle estratégico sobre o petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
