Funcionários do BRB relatam falhas ignoradas e apontam possível fraude em operação de R$ 12 bilhões com Banco Master
06 abril 2026 às 15h41

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Funcionários do Banco de Brasília (BRB) ouvidos pela Polícia Federal no inquérito que investiga operações envolvendo o Banco Master relataram que irregularidades já haviam sido identificadas internamente antes da conclusão das negociações. Segundo os depoimentos, há indícios de que os problemas não decorreram de falhas pontuais, mas de condutas deliberadas. O BRB é responsável pela folha de pagamento dos servidores estaduais do Tocantins.
Os servidores do banco prestaram esclarecimentos na condição de testemunhas e participaram de auditorias internas que identificaram inconsistências na aquisição de carteiras de crédito. À PF, indicaram que mecanismos de controle e recomendações técnicas foram apresentados, mas não teriam sido adotados pela diretoria responsável à época.
A investigação envolve a atuação do então diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo de Garcia Junior, que deixou o cargo após a repercussão do caso. De acordo com informações reunidas no inquérito, a ausência de observância a protocolos de compliance e segurança interna é vista como um dos principais pontos que sustentam a apuração sobre possível fraude.
O ex-diretor já foi ouvido pela Polícia Federal e afirmou não ter conhecimento detalhado sobre os ativos adquiridos na operação, estimada em cerca de R$ 12 bilhões. Ele também declarou não compreender como a instituição acabou assumindo um volume expressivo de créditos considerados de alto risco ou sem lastro adequado.
Após a revelação do caso, o BRB promoveu mudanças em sua estrutura administrativa, com substituição de integrantes da diretoria. A defesa de Dario Oswaldo de Garcia Junior foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização.
O afastamento do ex-diretor ocorreu por decisão da Justiça Federal do Distrito Federal, ainda em 2025. Na ocasião, o juiz responsável apontou a existência de indícios de gestão fraudulenta e possível associação criminosa, relacionados à condução das operações envolvendo o Banco Master.
Na mesma decisão, o magistrado destacou que a investigação identificou a utilização de documentos considerados inconsistentes ou sem comprovação adequada, como contratos e registros que buscavam dar validade a carteiras de crédito classificadas como irregulares.
O caso, que teve início na primeira instância, acabou sendo remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro.
