A Polícia Civil do Tocantins apresentou, em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira, 23, os detalhes da investigação que resultou na prisão de Waldecir José de Lima Júnior, investigado por assassinar o vigilante Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, morto a tiros em uma galeria comercial de Palmas, em novembro de 2025. O inquérito é conduzido pelo delegado Israel Andrade, que destacou a complexidade do caso e a pressão social por respostas.

Logo no início da coletiva, o delegado ressaltou que a prisão representa uma resposta à cobrança da população e dos familiares da vítima. “Há uma satisfação maior, tendo em vista a cobrança que existia sobre esse caso, especialmente por parte da população e nas redes sociais. Sempre que havia alguma divulgação da Polícia Civil, as pessoas questionavam sobre a prisão do autor, e essa cobrança é legítima. Nós somos servidores públicos e o nosso trabalho precisa ser acompanhado”, afirmou.

Segundo ele, as equipes iniciaram a apuração ainda nas primeiras horas após o homicídio, ocorrido no dia 28 de novembro de 2025, no Aldeia Mall Shopping.

“O autor fugiu logo após o crime, antes mesmo das primeiras diligências. Ainda assim, comparecemos ao local, realizamos a investigação preliminar e iniciamos as buscas. Inclusive fomos até a residência dele, onde encontramos o veículo com o motor ainda quente, coberto por uma lona, o que indicava claramente que ele havia saído há pouco tempo e tinha a intenção de fugir”, relatou.

Delegado Israel Andrade | Foto: Júlia Carvalho/Jornal Opção

Diante dos indícios, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva, que foi decretada pela Justiça no dia seguinte. “Desde a manhã seguinte ao crime, ele já era considerado foragido, com mandado de prisão em aberto”, explicou.

Fuga, apoio familiar e dificuldades na captura

O delegado afirmou que a investigação enfrentou obstáculos, principalmente pela fuga do suspeito para fora do estado e pelo suporte recebido de familiares durante o período em que esteve foragido.

Após semanas de buscas, a Polícia Civil identificou que o suspeito havia retornado a Palmas, o que permitiu intensificar o monitoramento e planejar a prisão com maior precisão: “Nós já tínhamos informação de que ele estava na cidade há alguns dias, mas optamos por aprofundar o monitoramento para evitar uma operação frustrada. Não queríamos apenas demonstrar ação, queríamos efetivamente cumprir o mandado de prisão”, explicou o delegado.

A captura ocorreu durante a “Operação Vigilante”, realizada em uma residência na região sul da capital. Durante a ação, os policiais encontraram o suspeito dentro da casa, após buscas no imóvel. Segundo o delegado, ele tentou dificultar a prisão.

“Ele não foi localizado de imediato. Estava escondido dentro de uma residência e chegou a se colocar debaixo da cama do filho, de 12 anos, utilizando a criança como forma de se ocultar, como um escudo humano. Isso demonstra, ao nosso ver, uma tentativa clara de evitar a ação policial e uma frieza por parte dele”, afirmou.

Polícia descarta versão de entrega voluntária

O delegado também negou informações de que o investigado pretendia se entregar às autoridades.

“Essa versão não é verdadeira. Ele próprio relatou que havia retornado a Palmas por conta do aniversário do filho. Se houvesse intenção de se apresentar, teria aguardado a chegada da polícia de forma espontânea. O que ocorreu foi o contrário: ele tentou se esconder, o que demonstra que não havia qualquer disposição em se entregar”, declarou.

A prisão foi realizada sem intercorrências, e o suspeito foi encaminhado à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi interrogado e submetido aos procedimentos legais, antes de ser levado à unidade prisional.

De acordo com Israel Andrade, a investigação está praticamente concluída. “Testemunhas foram ouvidas, imagens analisadas e perícias realizadas. Com a prisão, devemos finalizar o relatório nos próximos dias e encaminhar o inquérito ao Poder Judiciário”, afirmou.

Ao encerrar, o delegado afirmou que a investigação seguiu os mesmos procedimentos adotados em outros casos e destacou que o trabalho foi mantido até a localização do suspeito. “Não há distinção de classe social ou local onde o crime ocorre. A Polícia Civil atua da mesma forma em todos os casos, com o objetivo de dar uma resposta à sociedade e evitar a sensação de impunidade”, disse.

Leia mais: