A Polícia Civil do Tocantins realizou uma nova fase da Operação El Dourado, voltada ao combate ao núcleo financeiro de uma organização criminosa investigada por fraudes fiscais, sonegação tributária e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, o esquema teria causado prejuízo superior a R$ 55,9 milhões aos cofres públicos estaduais. A ação foi conduzida pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT), com apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais e Abigeato (Deleagro).

Durante as investigações, a Justiça da comarca de Taguatinga autorizou medidas cautelares que resultaram no bloqueio de contas bancárias, no sequestro de veículos, no bloqueio de matrículas de imóveis de alto padrão e em outras restrições patrimoniais. As medidas têm o objetivo de impedir a movimentação e ocultação de bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos.

As determinações judiciais incluíram bloqueio eletrônico de valores por meio do sistema SISBAJUD, limitado a R$ 56,7 milhões, além de sequestro de veículos via RENAJUD e restrições em cartórios de registro imobiliário para impedir transferências e garantir a indisponibilidade dos bens identificados ao longo da investigação.

De acordo com a DRCOT, o contador Paulo César Maciel dos Santos é apontado como líder do grupo investigado e teria atuado como operador financeiro central da estrutura, coordenando a movimentação de recursos e o gerenciamento de empresas registradas em nome de terceiros utilizados como “laranjas”. Atualmente ele está foragido.

Segundo a investigação, essas pessoas interpostas, em sua maioria sem capacidade econômica compatível, eram utilizadas para compor quadros societários e dificultar a identificação dos reais beneficiários das operações investigadas.

As apurações também rastrearam o fluxo financeiro da organização e apontaram que o contador seria o principal beneficiário dos recursos obtidos de forma ilícita. Entre os bens identificados estão uma residência avaliada em aproximadamente R$ 3,6 milhões, um lote estimado em R$ 800 mil, um flat avaliado em cerca de R$ 350 mil e três veículos utilitários esportivos de alto padrão, avaliados em aproximadamente R$ 105 mil cada.

Conforme a Polícia Civil, os imóveis estavam registrados em nome de empresas de fachada ou de pessoas ligadas ao investigado, o que, segundo a corporação, indicaria ocultação patrimonial e lavagem de capitais. As investigações também apontaram que veículos de luxo teriam sido entregues a funcionários vinculados ao escritório do investigado sob a justificativa de bonificação.

Somados os bens atingidos pelas medidas judiciais, a operação alcançou aproximadamente R$ 5,065 milhões em patrimônio, sem contabilizar os valores localizados em contas bancárias, que ainda passam por apuração.

As investigações indicaram ainda que, poucos dias após a deflagração da fase ostensiva da Operação El Dourado, integrantes do grupo teriam tentado acelerar a transferência de veículos e a cessão de direitos sobre imóveis para evitar o bloqueio patrimonial. Segundo a Polícia Civil, as medidas cautelares deferidas pela Justiça impediram as movimentações.

Apesar do avanço das investigações e do bloqueio de bens vinculados ao esquema investigado, Paulo César Maciel dos Santos segue foragido.

Procurado

A Polícia Civil solicita apoio da população para localizar Paulo César Maciel dos Santos. Informações podem ser repassadas, de forma anônima, pelo WhatsApp (63) 3218-1069.