A ação penal que apura a morte da empresária e servidora pública Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, encontrada boiando no Rio Santa Tereza no primeiro dia de 2026, seguirá sem alterações na Justiça. Em decisão publicada nesta semana, a juíza Ana Paula Araújo Aires Toríbio rejeitou os primeiros pedidos apresentados pela defesa dos acusados e manteve o andamento do processo que investiga o assassinato da moradora de Palmeirópolis, no sul do Tocantins.

Deise desapareceu após sair de Palmeirópolis em direção a Gurupi no dia 26 de dezembro de 2025. Segundo a investigação da Polícia Civil, ela foi levada para uma área rural próxima à Vila Quixaba, no município de Peixe, onde teria sido morta a facadas. Dias depois, o corpo foi encontrado por um morador no Rio Santa Tereza, na zona rural da cidade. A polícia concluiu posteriormente que o crime teria sido planejado pelas próprias filhas da vítima em meio a conflitos familiares e interesses financeiros.

Na decisão, a magistrada rejeitou alegações da defesa que buscavam anular o interrogatório policial de uma das acusadas, afastar parte das acusações e obter a absolvição antecipada dos réus. Também foram negados os pedidos para retirada da qualificadora de emboscada e para o reconhecimento de supostas irregularidades na denúncia apresentada pelo Ministério Público.

A juíza entendeu que os questionamentos apresentados dependem da produção de provas durante a instrução criminal e que a acusação reúne elementos suficientes para prosseguir. Entre eles estão laudos periciais, relatórios de investigação telemática e depoimentos colhidos ao longo da apuração.

A ação penal tem como réus Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro Rosa, José Roberto Ribeiro e Mateus Viana de Oliveira. Eles respondem por acusações que incluem feminicídio qualificado por emboscada, ocultação de cadáver, apropriação indébita, supressão de documento, falsa identidade e fraude processual.

Outro ponto da decisão foi a autorização para que oito irmãos de Deise Carmen passem a atuar formalmente como assistentes da acusação. Com a medida, os familiares poderão acompanhar os atos do processo por meio de advogada constituída, atuando ao lado do Ministério Público durante a tramitação da ação.

A magistrada também determinou novas diligências para localizar e citar Mateus Viana de Oliveira, que ainda não apresentou defesa. Após a conclusão dessa etapa e da fase de instrução, a Justiça decidirá se os acusados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a Polícia Civil, o assassinato teria sido motivado por disputas envolvendo o patrimônio e as finanças da família. No relatório final do inquérito, os investigadores afirmaram que as filhas enxergavam a mãe como um obstáculo para assumir o controle dos negócios familiares, versão contestada pela defesa dos acusados.