Quatro meses após a morte de Esmeralda Domingos da Silva, de 17 anos, em uma distribuidora de bebidas na região sul de Palmas, a Justiça manteve preso Thiago Gonçalves Policena, denunciado pelo Ministério Público como um dos envolvidos no crime que chocou a capital no início do ano.

A decisão é do juiz Cledson José Dias Nunes, da 1ª Vara Criminal de Palmas, que rejeitou o pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela defesa. Os advogados alegaram excesso de prazo nas investigações, ausência de participação direta de Thiago no homicídio e sustentaram que ele teria tentado impedir a ação da namorada, Jaqueline Santos Cardoso, apontada pela Polícia Civil como autora dos disparos.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que o inquérito policial já foi concluído e que a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Justiça em 26 de maio. Segundo a acusação, Thiago responde por homicídio qualificado consumado contra Esmeralda Domingos da Silva e por duas tentativas de homicídio qualificadas contra Lucas dos Santos da Silva e Carla Caroline Lage Santos, que também estavam na distribuidora na noite dos fatos.

Na decisão, o juiz afirma que não houve apresentação de fatos novos capazes de justificar a soltura do acusado e que os argumentos da defesa sobre ausência de dolo, falta de adesão à conduta criminosa e eventual participação de menor importância deverão ser analisados durante o andamento da ação penal.

O magistrado também manteve os fundamentos utilizados na decretação da prisão preventiva em fevereiro. Entre eles estão a gravidade concreta do caso, a forma como o crime foi executado e o risco de reiteração criminosa. A decisão menciona que os investigados teriam deixado a distribuidora e retornado pouco tempo depois. Conforme registrado nos autos, Jaqueline voltou ao local usando uma jaqueta que não utilizava anteriormente, circunstância apontada pela investigação como possível tentativa de ocultar a arma utilizada no crime.

Outro elemento citado pela Justiça foi a fuga do casal após os disparos. Segundo a decisão, os dois deixaram o Tocantins e acabaram localizados semanas depois durante uma ocorrência de roubo em Santana do Araguaia, no Pará. Eles foram presos e posteriormente transferidos para o sistema prisional tocantinense.

O caso ganhou repercussão em janeiro após a Polícia Civil apontar que a adolescente foi morta depois de dançar próximo ao namorado da suspeita dentro de uma distribuidora no Jardim Aureny IV. A investigação concluiu que Jaqueline teria deixado o local após se incomodar com a situação, retornado armada e efetuado os disparos.

Com a decisão, Thiago Gonçalves Policena seguirá preso enquanto responde à ação penal que apura a morte da adolescente.