Léo Santana lidera lista de cachês e prefeituras do Tocantins registram contratos milionários na temporada de praias
19 julho 2026 às 15h30

COMPARTILHAR
Julho transforma o Tocantins em um palco a céu aberto. Das praias do Bico do Papagaio ao sul do Estado, a temporada de veraneio movimenta turistas, comerciantes e artistas, mas também amplia a lista de contratações públicas registradas no Sistema Integrado de Controle e Auditoria Pública (SICAP-LCO), plataforma mantida pelo Tribunal de Contas do Estado. O levantamento do Jornal Opção Tocantins identificou 217 processos administrativos cadastrados por prefeituras e secretarias municipais para bancar apresentações musicais durante a temporada de praias de 2026.
No topo da lista aparece a Prefeitura de Lagoa da Confusão, que contratou o cantor Léo Santana por R$ 650 mil para uma apresentação na programação do Lagoa Verão 2026. O valor supera todos os demais contratos encontrados pela reportagem e ajuda a dimensionar a disputa entre os municípios por atrações capazes de atrair público para as praias temporárias formadas às margens dos rios tocantinenses.
A corrida pelos grandes nomes não para por aí. Em Araguacema, a contratação do grupo Turma do Pagode alcançou R$ 550 mil, enquanto o Festival Peixe Verão concentrou R$ 610 mil em um único procedimento que reúne cinco atrações diferentes. Em Xambioá, o show de Kiko Chicabana foi contratado por R$ 350 mil. Araguatins e Miracema do Tocantins aparecem na sequência, com cachês de R$ 250 mil para Kadu Martins e Yasmin Sensação, respectivamente.
Os contratos mostram que, embora algumas cidades apostem em atrações nacionais, a maior parte da programação continua ancorada em artistas regionais, cujos cachês variam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. Bandas como Vendaval, Gasparzinho, Wagner Dinniz, Sumire Tom de Alerta, Washington Brasileiro, Fernando Guedes, Kaio Fonseca e Iggor Cunha aparecem repetidas vezes em diferentes municípios, revelando um circuito de shows que percorre praticamente todas as praias tocantinenses ao longo de julho.
Em Filadélfia, por exemplo, a programação do Fila Beach incluiu contratações de R$ 200 mil para a Banda Vendaval, R$ 100 mil para Iggor Cunha, R$ 170 mil para Sumire Tom de Alerta e R$ 100 mil para Joan Alessandro. Já São Félix do Tocantins registrou contratações de R$ 200 mil para Gasparzinho e Vendaval, além de R$ 100 mil para Fernando Guedes e Kaio Fonseca. Tocantínia, Aguiarnópolis, Goiatins, Pau D’Arco e Carrasco Bonito também figuram entre os municípios que concentraram os maiores investimentos na temporada.
A diversidade dos valores expõe diferentes estratégias adotadas pelas prefeituras. Enquanto alguns municípios desembolsaram cifras superiores a R$ 200 mil por uma única apresentação, outros recorreram a atrações locais por cachês muito menores. Em Miracema, por exemplo, um show do cantor Patrício Alves foi contratado por R$ 2 mil, enquanto Yuri Vaqueiro custou R$ 5 mil. Em Ponte Alta do Tocantins, a contratação de Robson Lima ficou em R$ 13,4 mil. No outro extremo, artistas como Alanzim Coreano, Kadu Martins e Yasmin Sensação ultrapassaram a marca dos R$ 250 mil.
Os dados foram extraídos de processos administrativos publicados no Portal do Cidadão do Tribunal de Contas do Tocantins, ferramenta que reúne informações sobre despesas, licitações e contratos públicos e que permite acompanhar a aplicação dos recursos pelos municípios tocantinenses.
A temporada de praias também se consolidou como uma das principais vitrines das administrações municipais. Em cidades onde o veraneio movimenta a economia por poucas semanas, a escolha das atrações passou a ser tratada como uma aposta no turismo e na circulação de visitantes. O resultado é que julho se tornou um dos períodos de maior movimentação de recursos públicos destinados à agenda cultural no Tocantins.
