Mapa revela onde facções criminosas ganham força no Tocantins e as regiões mais afetadas
19 novembro 2025 às 10h23

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A quarta edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, divulgada nesta quarta-feira, 19, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostrou que a presença de facções criminosas avançou e alcançou 45% dos municípios da Amazônia Legal. No Tocantins, 17 das 139 cidades (12%) registraram algum tipo de atuação de grupos organizados, índice considerado baixo em comparação às áreas mais próximas das fronteiras internacionais, onde o fenômeno é mais intenso.
O levantamento identificou evidências de facções em 344 dos 772 municípios da região, número 32,3% maior que o registrado no ano passado. A expansão, segundo o estudo, está diretamente ligada ao controle de rotas do tráfico de drogas e a crimes locais, como o garimpo ilegal.
Foram identificados 17 grupos distintos, entre eles Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), facções regionais e organizações estrangeiras, como o Tren de Araguá (Venezuela) e dissidências das antigas Farc (Colômbia). De acordo com o estudo, o CV é o grupo mais influente, com presença em 286 cidades, 83% do total de municípios onde há facções, e crescimento de 123% desde 2023.
O PCC aparece em 90 municípios, com controle direto em 31 e disputa territorial em outros 59. A presença é considerada estável em relação aos levantamentos anteriores.
Tocantins e a dinâmica regional
Entre os nove estados da Amazônia Legal, o Tocantins está entre os que apresentam menor presença de facções. Diferente de áreas de fronteira: no Acre, por exemplo, 100% dos municípios registram grupos criminosos; em Roraima, o índice chega a 80%.
A distribuição regional é a seguinte:
- Acre: 22 de 22 municípios (100%)
- Amapá: 10 de 16 (62,5%)
- Amazonas: 25 de 62 (40%)
- Maranhão (parte amazônica): 53 de 181 (29%)
- Mato Grosso: 92 de 141 (65%)
- Pará: 91 de 144 (63%)
- Rondônia: 21 de 52 (40%)
- Roraima: 13 de 15 (80%)
- Tocantins: 17 de 139 (12%)
A presença de facções criminosas no Estado se distribui por diferentes regiões. No Centro, aparecem registros de atuação do CV e PCC em Palmas, do CV em Porto Nacional e Miracema, e do PCC em Paraíso. No Sul, há domínio do CV em Jaú do Tocantins, Alvorada e Gurupi; do PCC em Cariri do Tocantins e Formoso do Araguaia; além de Almas, onde predomina o grupo conhecido como “amigos do estado”.
No Sudeste, Taguatinga tem atuação do Bonde do Cangaço, enquanto Divinópolis registra presença simultânea de CV e PCC. No Norte, Araguaína concentra o domínio das duas maiores facções, e Xambioá é apontada como área de influência do CV. Já no Bico do Papagaio, São Bento e Augustinópolis possuem atuação do CV, enquanto Araguatins aparece sob influência do PCC.
Por que há avanço?
Para o gerente de projetos do FBSP, David Marques, a expansão das facções tem relação direta com a disputa por rotas do tráfico. Ele destaca que o CV adotou um modelo descentralizado de atuação, semelhante a “franquias”, o que facilita a presença em novos territórios. Já o PCC mantém estrutura mais centralizada e foca parcerias e negociações em escala maior.
Segundo Marques, o domínio do PCC sobre a chamada “rota caipira”, que passa por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná até portos de exportação, faz com que o CV concentre esforços na Amazônia, onde o controle territorial é estratégico para o escoamento de drogas.
O estudo foi elaborado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade, Instituto Itausa, Instituto Mãe Crioula e o Laboratório Interpretativo Laiv.
