Monitoramento climático projeta cenário de menos chuva no Tocantins em 2026
06 março 2026 às 10h08

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O Tocantins está entre as áreas da Amazônia Legal que podem registrar volumes de chuva abaixo da média nos próximos meses. A previsão foi apresentada nesta quinta-feira, 5, durante o evento “Pré-Cheia: Prognóstico Hidrometeorológico para 2026”, realizado em Porto Velho (RO) pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão ligado ao Ministério da Defesa.
De acordo com o meteorologista e analista em ciência e tecnologia do Censipam, Laurizio Alves, a tendência climática para o período até maio indica redução das chuvas em parte da região amazônica. Entre as áreas apontadas estão o centro e oeste do Mato Grosso, o sudeste do Pará, o Tocantins e o centro-sul do Maranhão. Esse cenário, segundo o especialista, aumenta a atenção para possíveis impactos ambientais, como o risco de queimadas.
Durante a apresentação do prognóstico meteorológico para a Amazônia Legal, Alves explicou que o comportamento climático da região é influenciado principalmente por fenômenos oceânicos. O El Niño costuma impactar mais o período seco, enquanto a La Niña exerce maior influência durante a estação chuvosa.
Neste ano, a La Niña apresentou intensidade considerada fraca. O cenário difere do observado em 2023 e 2024, quando a região enfrentou um período mais seco, associado a aumento de queimadas. Outro fator que interfere nas condições climáticas é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico. No mês passado, temperaturas mais elevadas no oceano contribuíram para períodos de estiagem em estados como Acre e Roraima.
Além das condições meteorológicas, o evento também apresentou análises sobre o comportamento dos rios da Amazônia. Segundo o analista do Censipam Flávio Altieri, os níveis da maioria dos rios da região permanecem dentro da normalidade para a época. No entanto, alguns cursos d’água podem registrar níveis abaixo da média em comparação ao ano passado.
Entre eles estão os rios Acre, em Rio Branco (AC); Xingu, em Boa Sorte (PA); Araguaia, em Xambioá (TO); e Tocantins, em Marabá (PA). De acordo com Altieri, o monitoramento é importante porque a redução do nível dos rios pode se agravar com a chegada do período de estiagem. “Isso preocupa no sentido de que, daqui a alguns meses, terá início um processo de seca em uma região que vem enfrentando dificuldades nos últimos anos”, afirmou.
O especialista destacou ainda que o sistema SipamHidro permite acompanhar, em tempo real, informações sobre riscos ambientais na Amazônia, incluindo dados sobre inundações, alagamentos, tempestades severas e estiagem. As informações são utilizadas para análise das condições atuais e projeção do comportamento dos rios.
O prognóstico das cheias e das condições climáticas é considerado estratégico para a preparação das comunidades amazônicas. O regime de chuvas, que ocorre principalmente entre dezembro e maio, influencia diretamente a rotina da população e pode provocar impactos como danos à infraestrutura, dificuldades de mobilidade, contaminação de mananciais e aumento de doenças associadas à água contaminada.
O evento reuniu representantes de diferentes instituições que atuam no monitoramento ambiental e hidrológico do país. Participaram especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Também estiveram presentes o secretário-geral adjunto do Ministério da Defesa, Miguel Ragone de Mattos, e o diretor-geral do Censipam, Richard Fernandez Nunes.
