Mairu Hakuwi Kuady Karajá, pesquisador, ativista indígena e uma das principais lideranças intelectuais do povo Iny Karajá, morreu neste fim de semana. A morte foi comunicada por familiares, amigos e lideranças indígenas, que prestaram homenagens nas redes sociais.

Integrante do povo Iny Karajá, presente em territórios do Tocantins, Goiás e Mato Grosso, Mairu se destacou pela atuação em defesa dos direitos dos povos indígenas e pelo trabalho de valorização da cultura, da língua e dos conhecimentos tradicionais de seu povo.

Formado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), ele concluiu mestrado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e cursava doutorado na mesma instituição. Suas pesquisas abordavam temas ligados aos direitos territoriais e à autodeterminação dos povos indígenas.

Ao longo da trajetória acadêmica, participou do programa Guatá, promovido pela Embaixada da França para incentivar a mobilidade internacional de pesquisadores indígenas. A iniciativa possibilitou sua participação em atividades acadêmicas na Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis.

Entre os projetos desenvolvidos por Mairu estava o Inỹribè – Fortalecimento e Revitalização da Cultura Inỹ, voltado à preservação da língua Karajá e à transmissão dos saberes tradicionais entre as novas gerações.

A morte do pesquisador repercutiu entre lideranças indígenas, pesquisadores e instituições de ensino. Em nota de homenagem, ele foi lembrado pela atuação em defesa dos povos originários e pela contribuição à preservação da cultura Iny.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a causa da morte.