O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para investigar uma possível ligação do Brasil com a rede de exploração sexual atribuída ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. A apuração está sob sigilo.

O procedimento foi aberto após a divulgação de milhões de documentos pelo governo dos Estados Unidos. Entre os registros analisados, há referência a uma mulher de Natal, no Rio Grande do Norte. A capital potiguar também é citada em mensagens que envolvem o agente de modelos Jean-Luc Brunel, parceiro de Epstein. Brunel foi encontrado morto em 2022, em uma prisão na França, onde respondia a acusações de abuso sexual, que negava.

De acordo com o MPF, a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC) acompanha os arquivos divulgados e avalia eventuais fatos que envolvam cidadãos brasileiros ou que tenham ocorrido em território nacional. O órgão informou que não detalha o conteúdo da investigação em razão da sensibilidade do tema e da necessidade de resguardar possíveis vítimas.

Segundo reportagem da BBC News Brasil, mensagens internas indicam que, em 2011, houve comunicação sobre um possível aliciamento e o envio de uma mulher da região de Natal para os Estados Unidos, onde poderia se encontrar com Epstein. Os registros não confirmam se o aliciamento chegou a ocorrer nem informam a idade da jovem.

Os diálogos apontam que o interesse de Epstein teria surgido após a apresentação feita por uma brasileira que mantinha relação próxima com ele. Nas mensagens, há menções à emissão de passaporte, ao planejamento da viagem e a pedidos de fotos em biquíni ou lingerie.

Documentos também indicam que essa brasileira, entre 2009 e 2013, solicitava ajuda financeira a Epstein e apresentava outras mulheres ao empresário. Em janeiro de 2011, ela tratou da ida da jovem de Natal aos Estados Unidos, descrevendo-a como alguém sem experiência internacional e de origem humilde. Epstein respondeu solicitando mais imagens.

O caso envolvendo Jeffrey Epstein passou a ter maior repercussão em 2005, quando ele foi investigado por abuso sexual de menores na Flórida. Em 2008, firmou um acordo judicial e cumpriu 13 meses de prisão por exploração de menores. Em 2019, voltou a ser preso, acusado de comandar uma rede de exploração sexual que envolveria centenas de meninas. Ele foi encontrado morto na prisão em agosto daquele ano, e a autópsia concluiu suicídio.

Após a morte de Epstein, as acusações criminais contra ele foram arquivadas. Autoridades dos Estados Unidos, no entanto, afirmaram que outras pessoas envolvidas no esquema poderiam ser responsabilizadas.

A denúncia foi registrada no MPF do Rio Grande do Norte e posteriormente encaminhada à Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), com sede em Brasília.