No TO, ministro questiona mensalidades de até R$ 15 mil em cursos privados de medicina com resultados ruins no Enamed
05 fevereiro 2026 às 08h03

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Dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foram destacados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante o discurso na cerimônia de posse da reitora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Maria Santana, realizada nesta quarta-feira, 4, em Palmas. Segundo o ministro, o exame revelou diferenças na qualidade da formação médica entre instituições públicas e privadas no país.
De acordo com Camilo Santana, o Enamed foi criado para avaliar a formação dos estudantes de medicina após a ampliação do número de cursos no Brasil. “Nós criamos o Enamed para avaliar, porque foram muitos cursos de medicina abertos. Nós não somos contra abrir curso, ao contrário, nós queremos que abra mais. Porém, é importante avaliar”, afirmou.
Ao apresentar os resultados, o ministro informou que universidades públicas apresentaram melhor desempenho. “As universidades públicas federais, estaduais e comunitárias são muito boas, mas mais da metade dos cursos de medicina das faculdades privadas com fins lucrativos não tiveram nota adequada desejável”, disse.
Segundo Santana, a partir dos dados do exame, o Ministério da Educação passou a intensificar a atuação regulatória sobre os cursos. “O MEC passou a cumprir a sua missão, que é regular as faculdades de medicina privadas, além das federais nesse país.” Ele destacou que o objetivo é acompanhar a qualidade da formação ofertada.
Durante o discurso, o ministro também relacionou os resultados do Enamed ao custo das mensalidades cobradas por instituições privadas. “Você acha que é justo um estudante pagar R$12.000, R$ 15.000 por uma mensalidade de uma faculdade privada de medicina e não ter qualidade da sua formação do médico?” Questionou. Ele acrescentou que os profissionais formados nesses cursos irão atuar diretamente no atendimento à população, por isso a necessidade dessas melhorias.
O ministro afirmou ainda que a avaliação não tem caráter punitivo. “Nós queremos que essas faculdades melhorem para ter qualidade na formação médica”, disse, ao comentar que o foco do exame é induzir melhorias na formação médica no país.
A cerimônia também marcou a confirmação da inclusão da construção do Hospital Universitário da UFT no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), projeto que mobilizou estudantes da área da saúde. O hospital deverá integrar atividades de ensino, pesquisa e atendimento à população.
