Operação coordenada no Tocantins investiga empresários e servidor público por movimentação de quase R$ 15 milhões
05 março 2026 às 08h30

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A Operação Serras Gerais III, deflagrada nesta quinta-feira, 5, pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (FICCO/TO), é o mais recente desdobramento de uma série de ações que investigam o uso de aeronaves, pistas clandestinas e estruturas financeiras ligadas ao tráfico interestadual de drogas no Tocantins.
Nesta fase, cerca de 50 policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Goiânia e Imperatriz, com foco no núcleo financeiro do grupo criminoso e na lavagem de recursos do tráfico.
A investigação identificou remessas de dinheiro por meio do sistema “4TBank”, uma plataforma sem autorização do Banco Central apontada como banco paralelo para movimentações de origem ilícita. O grupo investigado teria convertido recursos do tráfico em bens de alto valor e outros ativos no Brasil e no exterior.
Fases anteriores e contexto no Tocantins
A Operação Serras Gerais teve fases anteriores que já impactaram a atuação do crime organizado no estado. Em maio de 2025, a FICCO/TO realizou uma operação de grande escala no sudeste do Tocantins, mobilizando cerca de 200 agentes para cumprir 50 mandados judiciais em várias cidades do estado e em outros sete estados.
Naquele momento, as investigações revelaram movimentações estimadas em R$ 70 milhões em oito meses e o bloqueio de mais de R$ 64 milhões em bens e valores de pessoas físicas e jurídicas suspeitas, além da apreensão de fazendas, caminhões, veículos de luxo, aeronaves e embarcações atribuídas ao esquema de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada e pistas clandestinas para pouso de aeronaves carregadas com cocaína foram identificadas como parte da estrutura criminosa no Tocantins.
Também no contexto das investigações sobre o tráfico e o uso do banco digital “4TBank”, Gabriel Yamawaki, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo da Operação Decurio, foi preso no Tocantins, em arraias, durante ações conectadas à apuração de transporte de drogas por via aérea com pouso no município de Paranã. A instituição financeira investigada teria movimentado valores que podem chegar a R$ 8 bilhões, segundo inquérito da Polícia Civil de São Paulo.
Alvos da fase atual
Em Goiânia, as investigações miram uma revendedora de veículos que operava em endereços inconsistentes, dificultando a fiscalização, e cujo um dos sócios investigados cumpre pena em liberdade condicional.
Em Imperatriz, os mandados atingiram dois irmãos suspeitos de movimentações financeiras atípicas por meio de contas vinculadas ao banco paralelo e a uma papelaria que seria fachada. Um deles, empresário da construção civil, teria movimentado R$ 9,3 milhões em 50 dias; o outro, servidor público, teria movimentado R$ 5,3 milhões no mesmo período.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e fraude fiscal, com penas que, somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
A ação atual conta com apoio da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Tocantins, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) da Polícia Civil do estado e da Polícia Civil de Goiás. A FICCO/TO reúne membros das polícias Federal, Civil, Militar e Penal do Tocantins e atua sob coordenação da Polícia Federal, com foco na investigação, prevenção e repressão a organizações criminosas que atuam na região.
