Perícia da produtora anexada à investigação aponta gastos de R$ 75 milhões com filme sobre Jair Bolsonaro
12 junho 2026 às 14h14

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A produtora Go Up Entertainment informou que a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve custo de US$ 13,3 milhões, valor equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões. A informação consta em uma perícia privada contratada pela empresa e anexada ao processo que investiga o Instituto Conhecer Brasil (ICB) por suspeita de desviar recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para financiar a obra.
De acordo com o documento, obtido pelo Metrópoles, os gastos declarados somam R$ 54,2 milhões nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. O longa-metragem, previsto para ser lançado ainda neste ano, reúne atores norte-americanos, entre eles Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, embora as gravações tenham sido realizadas em cidades brasileiras, como São Paulo.
Ainda conforme a declaração apresentada pela produtora, o orçamento inicialmente aprovado para o filme era de US$ 16 milhões, o equivalente a R$ 89,7 milhões. O montante é R$ 44,8 milhões inferior ao valor que, segundo reportagem do site The Intercept Brasil, teria sido negociado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 2025.
A reportagem menciona diálogos entre Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel e o empresário Thiago Miranda, nos quais são discutidas possibilidades de repasses financeiros para a produção do filme. Uma das propostas previa o pagamento de 12 parcelas de US$ 1,6 milhão e outras duas de US$ 2 milhões, totalizando US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões.
Posteriormente, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Vorcaro afirmando estar preocupado com o atraso no pagamento de parcelas relacionadas ao patrocínio do Banco Master ao filme. A conversa ocorreu em 16 de novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura uma suposta fraude bilionária envolvendo o banco.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, disse o senador no áudio a Vorcaro. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, completou.
Flávio Bolsonaro reconheceu a autenticidade do áudio divulgado, mas afirmou que os pagamentos realizados por Vorcaro foram legais por não envolverem qualquer contrapartida. Segundo as informações, o valor efetivamente destinado ao filme pelo ex-banqueiro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, o equivalente a R$ 61 milhões.
No relatório de gastos apresentado pela Go Up Entertainment, as despesas estão discriminadas da seguinte forma:
Desenvolvimento do projeto, nos Estados Unidos – US$ 383 mil;
“Soft-production” – US$ 2,6 milhões;
Pré-produção, nos Estados Unidos – US$ 2,6 milhões;
Produção e filmagem nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhões;
Produção e filmagem no Brasil – US$ 3,7 milhões;
Pós-produção, nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhões.
Segundo a perícia, até o dia 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fund LP, utilizado para captar recursos para o projeto, havia transferido US$ 13,3 milhões para a produção do filme. No Brasil, os recursos destinados à obra foram recebidos por meio de uma conta no Banco do Brasil, sendo que a maior parte, R$ 18,4 milhões, entrou por meio de transferências via Pix.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).
Eduardo nos EUA
Após a divulgação de que Daniel Vorcaro enviou recursos para a produção de Dark Horse por meio do fundo Heavengate Development, a Polícia Federal (PF) passou a apurar se parte desses valores foi utilizada para custear a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, pertencente ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de articular sanções contra autoridades brasileiras.
R$ 61 milhões de Vorcaro
Diálogos divulgados pelo The Intercept Brasil mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitando ao banqueiro Daniel Vorcaro o envio de recursos para a produção do filme.
