PF e PGR avaliam que possível delação de ex-presidente do BRB pode influenciar negociação de Daniel Vorcaro
23 abril 2026 às 15h56

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A possível negociação de um acordo de delação premiada pelo ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, é avaliada por investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) como um fator que pode impactar diretamente as tratativas envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e reduzir o alcance de sua proposta de colaboração.
Preso na semana passada pela PF, Paulo Henrique Costa ainda não formalizou a negociação de uma delação, mas substituiu sua equipe de defesa nesta semana com o objetivo de buscar um acordo. As tratativas devem ser iniciadas nos próximos dias. Ele está atualmente no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A nova equipe de defesa é capitaneada pelos escritórios dos advogados Eugênio Aragão, que foi subprocurador-geral da República, e Davi Tangerino, que fez delações premiadas de executivos das Lojas Americanas.
Já Vorcaro passou a estruturar uma proposta de delação desde o dia 19 de março, quando foi transferido da penitenciária federal de segurança máxima para a carceragem da Superintendência da PF em Brasília, mas ainda não apresentou essa proposta aos investigadores. O banqueiro está preso desde 4 de março.
Segundo a apuração dos investigadores, uma eventual delação premiada do ex-presidente do BRB pode avançar com maior rapidez por envolver um conjunto mais delimitado de temas e, ao mesmo tempo, apresentar novos elementos à investigação. Além disso, a formalização de um acordo com Paulo Henrique Costa teria menor repercussão pública do que uma colaboração firmada com Vorcaro, apontado nas investigações como líder do esquema montado pelo Master para desviar recursos do sistema financeiro e de institutos de previdência.
Nesse cenário, a colaboração de Vorcaro em relação aos fatos ligados ao BRB perderia relevância e poderia resultar em condições mais rígidas por parte dos investigadores para eventual aceitação do acordo com o proprietário do Banco Master.
Como mostrou o Estadão, os investigadores já haviam informado à equipe de defesa de Vorcaro que ele deveria apresentar novos caminhos de provas, além do conteúdo já extraído pela própria Polícia Federal de seu telefone celular. A proposta de delação ainda é tratada com cautela pelas equipes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República e enfrenta entraves relacionados ao tempo de pena a ser imposto e ao montante de recursos a serem devolvidos.
No caso de Paulo Henrique Costa, ele estava no exterior quando foi alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, e só entregou seu celular às autoridades quando retornou ao Brasil. Ainda não foi concluída a análise completa do aparelho para verificar se houve eventual exclusão de provas antes da entrega do material.
O ex-presidente do banco foi preso pela Polícia Federal por suspeita de aceitar propina de R$ 146 milhões em imóveis em troca de favorecer os interesses de Vorcaro no BRB, liberando a compra de carteiras de crédito sem observar os devidos critérios.
Como mostrou o Estadão, a investigação já obteve mensagens de Paulo Henrique Costa orientando seus subordinados a viabilizar aportes de capital no BRB de fundos ligados ao Banco Master, que passaram a deter 23,5% de participação no banco.
Em seu depoimento prestado à PF em dezembro, Paulo Henrique Costa defendeu os aportes do BRB no Master e disse que seguiram critérios técnicos. Ele sustentou ainda que foi o BRB quem comunicou ao Banco Central sobre a inconsistência das carteiras de créditos vendidas ao Master, após o banco ter detectado suspeitas de irregularidades.
Com informações do Estadão*
