Polícia Federal abre inquérito para investigar suspeita de gestão fraudulenta no BRB
03 fevereiro 2026 às 10h29

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A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades na atuação do Banco de Brasília (BRB) em operações financeiras envolvendo o Banco Master, instituição privada que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro. A investigação mira indícios de gestão fraudulenta em transações realizadas no contexto de uma tentativa de aquisição do Master pelo banco público, controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
As apurações se concentram em operações bilionárias realizadas entre as duas instituições, especialmente na compra, pelo BRB, de carteiras de crédito sem garantias e que não pertenciam formalmente ao Banco Master. Segundo as investigações, o BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões nessas operações, o que pode gerar um prejuízo estimado em até R$ 5 bilhões.
A informação sobre o inquérito foi divulgada inicialmente pela colunista Miriam Leitão, do jornal O Globo, e confirmada posteriormente. A Polícia Federal também apura se houve falhas nos mecanismos internos de governança, análise de risco e aprovação dessas operações dentro do banco estatal.
As transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentou adquirir parte significativa do Banco Master. A proposta, que contou com apoio do Governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, acabou sendo barrada pelo Banco Central ao longo de 2025, após avaliação dos riscos envolvidos.
Em novembro, uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi posteriormente demitido de forma definitiva.
No centro da investigação também estão operações relacionadas à emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) pelo Banco Master. De acordo com a Polícia Federal e o Banco Central, a instituição emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs oferecendo rendimentos acima do mercado, sem comprovação de liquidez suficiente para honrar os compromissos futuros.
Parte desses recursos teria sido aplicada em ativos considerados inexistentes, por meio da compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno. Embora o Master não tenha desembolsado valores por esses ativos, eles foram posteriormente vendidos ao BRB, que pagou aproximadamente R$ 12,2 bilhões, sem documentação adequada, em uma operação que, segundo os investigadores, teria servido para aliviar o caixa do banco privado.
Além dessas operações, o Banco Master era conhecido por adquirir precatórios e investir em empresas em dificuldades financeiras. Diante do risco de insolvência, houve sucessivas tentativas de venda da instituição, incluindo a proposta apresentada pelo BRB, todas as negociações foram canceladas, cercadas por questionamentos técnicos, pressões políticas e críticas à falta de transparência.
O Banco Central decidiu liquidar o Banco Master após identificar elevado custo de captação de recursos e forte exposição a investimentos considerados de alto risco, com taxas de juros muito acima do padrão de mercado. Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou à TV Globo que se reuniu ao menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo o governador, os encontros não trataram da tentativa de compra da instituição pelo BRB.
