A 5ª fase da Gotham City, o operação que resultou na prisão de José Matheus Silveira Carneiro, conhecido como “Galo Cego”, apontado pela Polícia Civil como o último integrante da cúpula do Comando Vermelho (CV), facção investigada por uma série de homicídios no Tocantins, durou cerca de 40 minutos e foi realizada no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil carioca. A ação policial foi detalhada durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 12. 

De acordo com os delegados responsáveis, a ação foi considerada cirúrgica, sem troca de tiros e sem registro de feridos. Durante a abordagem, o investigado tentou se desfazer de um celular, que foi recuperado e apreendido. “Subimos, fizemos a prisão e descemos sem nenhum disparo. Nenhum policial e nenhum morador foi ferido”, afirmou o delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios de Palmas (DHPP).

Segundo a Polícia Civil, a prisão é resultado de um trabalho de inteligência documentado ao longo de aproximadamente dois anos e meio, voltado à apuração da atuação de um grupo criminoso que, mesmo com lideranças fora do estado, teria coordenado execuções no Tocantins. De acordo com os investigadores, as ordens eram repassadas de forma virtual, com forte organização interna e respeito à hierarquia do grupo.

Guerra entre facções e onda de homicídios

Conforme foi exposto na coletiva, a investigação teve como pano de fundo a guerra entre facções criminosas que provocou uma grave crise de segurança pública no Tocantins em 2023, especialmente em Palmas.

A Polícia Civil afirmou que o grupo investigado teria sido responsável por uma sequência de homicídios naquele período, considerados fora da normalidade, o que motivou a intensificação das ações da Secretaria da Segurança Pública. 

Dados apresentados l apontam que mais de 100 homicídios foram registrados no Tocantins apenas no primeiro semestre de 2023, sendo cerca de 90 em Palmas. O mês de maio concentrou o pico da violência, com 25 homicídios em 31 dias na capital.

“Foi a maior crise de segurança pública da história do Tocantins. Os números estavam completamente fora do padrão”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Bruno Azevedo.

Prisões em diferentes estados

Antes da prisão de Galo Cego, outros investigados apontados como integrantes da liderança do grupo já haviam sido presos:

  • Dad Charada (Carlos Augusto Silva Fraga): preso no Rio Grande do Sul; posteriormente, segundo a Polícia Civil, morreu após se suicidar;
  • Luxúria: preso no Mato Grosso (Wagner de Oliveira Costa);
  • Galo Cego: preso no Rio de Janeiro, no Morro do Vidigal;
  • Beira Lago: preso em Palmas (Fernando Martins Gama, no Tocantins.

Com essas prisões, a Polícia Civil afirma ter concluído a captura das principais lideranças identificadas até o momento.

Investigação continua

Apesar da prisão de Galo Cego, a Polícia Civil deixou claro que a investigação não está encerrada. O material apreendido, especialmente o celular recuperado durante a operação no Rio de Janeiro, ainda será analisado e pode indicar novas conexões, crimes ou envolvidos. Segundo os delegados, não há prazo para a conclusão do inquérito.