Os professores da rede municipal de Arapoema denunciaram que tiveram o acesso às escolas impedido após a troca das fechaduras das unidades de ensino durante a greve da categoria, iniciada em 29 de maio. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet), a medida teria sido determinada pela Secretaria Municipal de Educação e agravou o impasse entre os profissionais e a gestão municipal.

De acordo com a presidente do Sintet Regional de Colinas, Alexandra Machado, os servidores foram surpreendidos nesta segunda-feira, 8, ao tentarem entrar nas escolas e encontrarem as portas com novas fechaduras.

“O secretário municipal de Educação de Arapoema, Neurivan Sousa, trocou todas as fechaduras das portas escolares e trancou as unidades escolares, proibindo até mesmo o acesso do próprio professor à sala de aula. Esse é o nível a que chegou o andamento da greve aqui em Arapoema”, afirmou a dirigente sindical.

A paralisação completa quase duas semanas sem acordo entre a categoria e a Prefeitura de Arapoema. Segundo o sindicato, mais de 700 estudantes estão sem aulas em razão da falta de avanço nas negociações sobre as reivindicações apresentadas pelos profissionais da educação.

O Sintet sustenta que, desde o início da greve, vinha sendo respeitado o percentual mínimo de funcionamento previsto na legislação para serviços essenciais. No entanto, após a troca das fechaduras, os professores teriam sido impedidos de acessar os prédios públicos, inclusive para desempenhar atividades relacionadas ao movimento grevista.

Categoria cobra diálogo

A presidente do sindicato afirma que os trabalhadores seguem mobilizados diante da ausência de propostas concretas por parte da administração municipal.

“Diante da inércia da atual gestão em dialogar com o sindicato e com a categoria, buscando mecanismos para que os professores retornem às salas de aula e os alunos aos espaços escolares, os trabalhadores permanecem em greve. Trata-se de uma luta legítima, contínua e permanente pelos direitos dos professores de Arapoema”, declarou Alexandra Machado.

A dirigente também criticou a condução do conflito pela Secretaria Municipal de Educação.

“Nossa luta é legítima. Em vez de sentar e dialogar com a categoria, o secretário optou por trocar as fechaduras das escolas e impedir o acesso dos professores. O cidadão e a cidadã arapoemense precisam conhecer as dificuldades que esses profissionais estão enfrentando diante de uma gestão que insiste em não negociar”, afirmou.

Audiência pública

Em meio ao impasse, a Câmara Municipal de Arapoema convidou representantes do sindicato para participar de uma audiência pública marcada para esta quarta-feira, 10, às 19 horas.

A expectativa da categoria é que o encontro abra espaço para a discussão das reivindicações dos profissionais e contribua para a retomada das negociações com o Executivo municipal.

O Sintet também convocou a população para acompanhar o debate.

“Convidamos toda a população de Arapoema para conhecer a realidade e a verdade vividas pelos professores, e não as informações inverídicas que vêm sendo divulgadas pela gestão municipal sobre os direitos da categoria”, disse Alexandra Machado.

Os professores realizaram uma assembleia nesta segunda-feira, 8, para avaliar o andamento do movimento e definir os próximos passos da mobilização. Segundo o sindicato, a greve será mantida até que a prefeitura apresente uma proposta capaz de atender às reivindicações da categoria.

Outro lado

O Jornal Opção Tocantins solicitou posicionamento da Prefeitura de Arapoema e da Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias feitas pelo sindicato, incluindo a suposta troca das fechaduras das escolas e o andamento das negociações com os professores. O espaço permanece aberto para manifestação.