Um projeto voltado ao diagnóstico precoce da hanseníase na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), com participação da professora do curso de Medicina da Ulbra Palmas e médica hansenologista Seyna Ueno, passou a integrar a Rede ColaboraAPS, criada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2025. A iniciativa está entre os 29 projetos selecionados no país e é a única da região Norte contemplada.

O trabalho reúne resultados obtidos em Porto Nacional, onde profissionais da Atenção Primária foram capacitados para aprimorar o diagnóstico, o manejo clínico e o acompanhamento de pacientes com hanseníase. A proposta envolve treinamentos, assessoria técnica e teleconsultorias, com foco na organização do cuidado na rede pública de saúde.

De acordo com a professora Seyna Ueno, os efeitos da iniciativa já aparecem nos dados epidemiológicos do município. “Hoje Porto Nacional, onde tenho desenvolvido a pesquisa, apresenta aumento na taxa de detecção porque os profissionais passaram a identificar melhor os sinais e sintomas. Ao mesmo tempo, houve redução no grau de incapacidade, o que demonstra diagnóstico mais precoce”, explicou.

Nesse cenário, o aumento da taxa de detecção está relacionado à ampliação da capacidade de identificação e tratamento da doença nas fases iniciais, com redução de sequelas e de atendimentos tardios.

Intercâmbio nacional e inovação

Ao integrar a Rede ColaboraAPS, a equipe passou a trocar experiências com outros projetos de Atenção Primária à Saúde no país. O grupo participou de encontros nacionais organizados pela Fiocruz e realizou visitas técnicas para conhecer iniciativas voltadas à saúde digital, ao uso de inteligência artificial e ao teleatendimento no SUS.

Além das capacitações, foi desenvolvida uma ferramenta tecnológica para ampliar o acesso à informação e auxiliar na identificação de casos suspeitos. Trata-se de um chatbot com inteligência artificial, elaborado em parceria com pesquisadores da área de Sistemas de Informação, que interage com o usuário e identifica sinais sugestivos da doença. “O sistema faz perguntas sobre sintomas como dormência e perda de força muscular. Caso haja suspeita, orienta a procurar a unidade de saúde para avaliação especializada. Isso contribui para ampliar o diagnóstico precoce e reduzir sequelas”, destacou a docente.

Pesquisa e fortalecimento do SUS

O projeto também está vinculado a pesquisas em genética molecular, incluindo a realização de testes laboratoriais e a análise de dados para mapear casos e subsidiar estratégias de busca ativa.

Para a professora, a inserção na rede nacional reforça a necessidade de investimento na Atenção Primária à Saúde no enfrentamento da hanseníase. “Fortalecer o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir incapacidades, interromper a transmissão e combater o estigma da doença”, afirmou.

A participação da docente integra as ações da Ulbra Palmas na área de pesquisa aplicada à realidade regional e na formação médica voltada à atuação no SUS.