O PT encerrou o primeiro turno das eleições de 2026 no Tocantins sem conquistar cadeiras na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados e com derrotas nas disputas majoritárias em que esteve envolvido. Paulo Mourão (PT) terminou em quinto na eleição para o Senado, Laurez Moreira (PSD), apoiado pelo partido, ficou fora do segundo turno para o governo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu no estado para Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado mantém o PT sem representação própria nas bancadas tocantinenses da Assembleia e da Câmara. Nenhum candidato petista aparece entre os 24 deputados estaduais ou os oito federais eleitos no domingo, 4. Na disputa pelo Senado, Mourão recebeu 129.838 votos, equivalentes a 7,85% dos válidos, e terminou atrás de Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB), Eli Borges (Republicanos) e Carlos Gaguim (União). As duas vagas ficaram com Gomes e Guimarães.

A derrota também alcançou a aliança construída para o Palácio Araguaia. O PT abriu mão de candidatura própria ao governo e apoiou Laurez, que terminou em terceiro, com 69.967 votos, ou 8,24% dos válidos. Professora Dorinha (União), com 45,52%, e Vicentinho Júnior (PSDB), com 43,94%, avançaram para o segundo turno.

O quadro estadual se completou com a votação presidencial. Flávio Bolsonaro recebeu 469.321 votos no Tocantins, 50,44% dos válidos, contra 404.009 de Lula, 43,42%. A diferença foi de 65.312 votos. O resultado inverteu o registrado quatro anos antes: em 2022, Lula havia sido o candidato mais votado à Presidência no estado.

Campanha de Lula teve duas frentes

A derrota ocorreu depois de uma campanha em que os principais grupos ligados ao projeto de Lula no Tocantins atuaram em frentes distintas.

De um lado, Kátia Abreu assumiu papel na articulação da campanha presidencial e organizou agendas próprias pelo estado. De outro, Paulo Mourão disputou o Senado integrado à chapa de Laurez, apresentada pelo PT e seus aliados como o palanque estadual de Lula.

A divisão ficou exposta durante a campanha. Em agosto, uma caravana organizada por Kátia no Bico do Papagaio percorreu municípios sem Mourão na programação. O candidato ao Senado manteve agenda paralela na região ao lado de integrantes da chapa de Laurez.

A própria formação do palanque havia exigido uma acomodação entre interesses nacionais e estaduais. O PT decidiu apoiar Laurez, do PSD, em vez de lançar candidato próprio ao governo. A escolha fazia parte da estratégia nacional de Lula de construir alianças com candidaturas de outros partidos nos estados.

Na prática, porém, a campanha presidencial no Tocantins não funcionou sob um único comando político. O grupo de Kátia concentrou parte da mobilização diretamente vinculada a Lula, enquanto Mourão e Laurez conduziram outra frente, associando a eleição presidencial às candidaturas locais.

Recursos provocaram outra crise

A divisão dos palanques não foi o único problema interno enfrentado pelo PT durante a campanha. A distribuição dos recursos eleitorais também provocou reclamações entre candidatos proporcionais.

Durante a campanha candidatos petistas questionaram o modelo adotado pela direção nacional para distribuir recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. A divisão das candidaturas por grupos deixou parte dos concorrentes sem recursos na fase inicial da campanha e levou a direção estadual a cobrar mudanças.

O presidente estadual do PT, Nile William, afirmou na ocasião que a definição havia sido centralizada pela Executiva Nacional e que a direção tocantinense também criticava o modelo. A crise atingiu principalmente candidatos sem mandato e com menor estrutura eleitoral.

As diferenças também apareceram nas escolhas políticas feitas individualmente por candidatos e lideranças petistas durante a disputa. Enquanto a direção partidária formalizou a aliança com Laurez e Mourão, integrantes da legenda adotaram estratégias próprias para suas campanhas proporcionais e para a relação com outros grupos políticos do estado.

Sem deputados e fora das disputas majoritárias

Nas eleições proporcionais, o desempenho não produziu cadeiras próprias para o PT. Na disputa federal, Narúbia Werreria, uma das candidatas da legenda, recebeu 5.222 votos. Nenhum petista ficou entre os oito eleitos para a Câmara.

Na Assembleia, a Federação Brasil da Esperança conseguiu representação por meio de partidos aliados — Cláudia Lelis, do PV, e Ivory de Lira, do PCdoB, foram eleitos —, mas o PT propriamente dito não conquistou uma cadeira. A distinção é importante porque os três partidos disputam as eleições proporcionais como uma federação, embora mantenham identidades partidárias próprias.

O primeiro turno deixa, portanto, o PT diante de resultados adversos em diferentes níveis no Tocantins. O partido não elegeu representantes próprios para a Assembleia ou para a Câmara, Paulo Mourão ficou distante das duas vagas do Senado, e a candidatura ao governo apoiada pela legenda terminou com 8,24%.

Ao mesmo tempo, Lula perdeu um estado que havia vencido em 2022. O presidente ainda venceu em 84 dos 139 municípios tocantinenses, mas Flávio Bolsonaro prevaleceu na soma estadual, impulsionado pelo desempenho nos maiores colégios eleitorais. A campanha petista chega ao segundo turno presidencial no Tocantins, assim, com a tarefa de tentar recuperar uma diferença superior a 65 mil votos depois de um primeiro turno marcado por derrotas eleitorais e pela atuação fragmentada de seus principais grupos estaduais.