Riscos à potabilidade da água no Rio Tocantins após tragédia são baixos, mas requerem atenção, diz ANA
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25 dezembro 2024 às 08h57
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Após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira no último dia 22 de dezembro, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) divulgou nesta terça-feira, 24, uma nota oficial abordando as consequências do acidente, que envolveu a queda de caminhões transportando pesticidas e ácido sulfúrico no Rio Tocantins.
A situação despertou preocupação com os impactos ambientais e na qualidade da água utilizada para abastecimento. No entanto, a nota diz que “não há, ainda, informação sobre o rompimento efetivo das embalagens dos defensivos agrícolas, que, em função do acondicionamento da carga, podem ter permanecido intactas”.
Segundo a ANA, a carga dos caminhões incluía pesticidas cujos princípios ativos foram analisados com base em dados fornecidos pelas notas fiscais e bulas dos produtos. As simulações realizadas indicam que, mesmo em caso de liberação instantânea no rio, os pesticidas como Picloram e 2,4-D atingiriam concentrações abaixo do Valor Máximo Permitido (VMP) pela Portaria de Potabilidade do Ministério da Saúde em menos de cinco minutos, graças à alta vazão do rio no ponto do acidente, estimada em 1.000m³/s.
A nota da também destacou dois aspectos críticos relacionados ao ácido sulfúrico: a redução do pH da água e a liberação de calor durante sua diluição. Apesar de o potencial de impacto ser considerável, as autoridades ambientais locais, como a Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão (SEMA/MA), afirmaram que até o momento não foram detectadas alterações relevantes no pH do rio no trecho monitorado.
A capacidade de diluição e absorção térmica do rio Tocantins foi considerada suficiente para minimizar os efeitos do ácido sulfúrico, mas a ANA reforçou a necessidade de monitoramento constante da qualidade da água a jusante, especialmente para ajustes nos processos de tratamento realizados pelas concessionárias de abastecimento público.
Desde o acidente, amostras de água vêm sendo coletadas em cinco pontos do rio, abrangendo o trecho entre a Usina Hidrelétrica Estreito e Imperatriz (MA). As análises estão sendo realizadas por equipes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Embrapa Meio Ambiente e Ministério do Meio Ambiente,Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins (SEMARH/TO); entre outras instituições. A Agência Tocantinense de Saneamento (ATS) e a empresa Engie, responsável pela operação de hidrelétricas na região, também participam do esforço conjunto.
Adicionalmente, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) enviou técnicos à região para medição de vazão e avaliação de parâmetros básicos de qualidade da água. Uma reunião da Sala de Crise foi agendada para a próxima quinta-feira, 26, às 16h, com a participação de órgãos federais, estaduais e municipais, além de concessionárias de saneamento, para discutir medidas de mitigação e acompanhamento.
Embora as análises preliminares indiquem que os riscos à potabilidade da água são baixos, a ANA ressaltou a necessidade de atenção contínua, especialmente em relação a possíveis vazamentos não detectados ou alterações ambientais inesperadas. A prioridade é garantir que o abastecimento público não seja comprometido e que os danos ao meio ambiente sejam minimizados.