A trajetória criminosa de Renan Barros da Silva, classificado oficialmente como serial killer pelas forças de segurança, expõe um padrão marcado por frieza, repetição de método e desprezo pela vida humana. Condenado a 72 anos, cinco meses e um dia de prisão por três homicídios duplamente qualificados, uma tentativa de homicídio e ocultação de cadáver, ele é apontado como responsável por uma sequência de assassinatos cometidos entre 2020 e 2021, principalmente em Araguaína, no norte do Tocantins.

Apontado pela Polícia Civil como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), Renan, hoje com 26 anos, é considerado um criminoso de extrema frieza, planejamento e alto grau de periculosidade. Segundo as investigações, sua trajetória de execuções teve início em novembro de 2020 e se estendeu por diferentes cidades do Tocantins e também do Maranhão.

Fuga

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO), Renan fugiu da Unidade de Tratamento Penal de Cariri do Tocantins (UTPC), juntamente com outro detento, Gildásio Silva Assunção, de 47 anos, também apontado como integrante do PCC e considerado de alta periculosidade

A dupla teria serrado as grades da cela e, na sequência, escalado o alambrado do presídio utilizando uma “teresa”, espécie de corda improvisada feita com lençóis. Após a fuga, forças das polícias Civil e Militar passaram a concentrar as buscas na região sul do Estado.

A SSP orienta que a população mantenha cautela extrema e não tente qualquer tipo de abordagem. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 190, 197 ou diretamente à Central de Flagrantes de Gurupi.

De acordo com investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Renan agia sozinho, escolhia vítimas de forma aleatória em alguns casos e utilizava como “assinatura” disparos concentrados na região da cabeça. A polícia e o Ministério Público destacam que não havia motivação concreta para parte dos crimes, o que reforça a avaliação de que ele matava por prazer, demonstrando comportamento frio e calculista.

Execução de amigo e vingança

Antes do triplo homicídio que chocou Araguaína, em maio de 2021, Renan já havia cometido outros assassinatos. Um deles teve como vítima Fernando da Silva Brito, morto em 3 de novembro de 2020, no setor Palmas. Segundo a polícia, Fernando era amigo e comparsa em crimes e teria denunciado Renan após um furto de mais de 60 aparelhos celulares em uma loja da Avenida Cônego João Lima. Após ser preso e posteriormente solto, Renan teria se vingado, executando o ex-companheiro.

Assassinato após desentendimento banal

Em 22 de novembro de 2020, Luiz Gonzaga Dias foi morto às margens da TO-222, no distrito de Novo Horizonte, em Araguaína. A investigação apontou que a vítima estava no mesmo bar que Renan e sua namorada. Após um episódio de ciúmes considerado banal, Renan teria seguido Luiz e efetuado disparos, matando-o. Para a polícia, o caso evidencia a ausência de limites e a reação desproporcional do autor.

Triplo homicídio aleatório

O episódio mais emblemático ocorreu na madrugada de 27 de maio de 2021, na rotatória da Rua Beira Lago com a Avenida Filadélfia. Em um intervalo de poucas horas, Renan matou Francisco Régis Freitas Gonçalves, Manoel Cassiano de Oliveira e Simião Neto Pereira. Uma quarta vítima, Ivan Lima França, conseguiu fugir após ser alvo de disparos.

Segundo a DHPP, Renan se deslocou até o local de bicicleta, se escondeu e surpreendeu as vítimas, repetindo o mesmo padrão de execução. Após os crimes, ainda ocultou os corpos e abandonou os veículos, o que, para os investigadores, demonstra planejamento e frieza emocional.

Última vítima no Maranhão

Além dos crimes em Araguaína, Renan é suspeito de outros homicídios, incluindo um ocorrido em 29 de junho de 2021, na cidade de Estreito, no Maranhão, seu município natal. O caso tramita em segredo de Justiça, mas as investigações apontam que o padrão de execução foi semelhante aos demais.

Condenação e avaliação do Ministério Público

Durante o julgamento, o Ministério Público classificou os atos como resultado de um “prazer repugnante de matar”, destacando o comportamento sádico e o total desprezo do réu pela vida humana. A acusação também ressaltou o risco coletivo gerado pelos crimes, cometidos em vias públicas e locais de circulação de pessoas.

Capturado em Rondon do Pará poucos dias após o triplo homicídio, Renan iniciou o cumprimento da pena em regime fechado. Para as autoridades, o histórico revela não apenas a gravidade dos crimes, mas um perfil de extrema periculosidade, marcado por frieza, ausência de remorso e repetição de um método que aterrorizou Araguaína e região.