STF mantém prisão de lobista investigado por venda de sentenças com atuação ligada ao Tocantins
12 fevereiro 2026 às 16h25

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O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão preventiva do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado na Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Relatórios da Polícia Federal indicam que o lobista mantinha relações com servidores de gabinetes de ministros do STJ e de tribunais estaduais.
A decisão foi tomada pela 1ª Turma do STF, em julgamento realizado nesta quarta-feira, 11. O relator, ministro Cristiano Zanin, votou pela rejeição do pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa, sendo acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Ainda falta o voto do ministro Flávio Dino, mas já há maioria formada.
Andreson está preso na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima. Segundo o relator, não houve demonstração de alteração do quadro fático que justificasse a substituição da prisão preventiva. Relatórios da direção do presídio apontam que o custodiado recebe acompanhamento médico e nutricional.
Preso em novembro de 2024, Andreson chegou a obter autorização para cumprir prisão domiciliar em julho de 2025, após apresentar laudos médicos que indicavam debilidade de saúde e perda de peso. Em novembro do mesmo ano, no entanto, o ministro Cristiano Zanin determinou o retorno ao regime fechado.
De acordo com a Polícia Federal, Andreson é apontado como principal operador de um esquema que envolvia negociação de decisões judiciais, antecipação de minutas e contratos advocatícios utilizados para justificar repasses de valores. A investigação também apura um suposto sistema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.
Relatórios da Operação Sisamnes citam a atuação do lobista junto a tribunais estaduais, incluindo o Tribunal de Justiça do Tocantins, além de Cortes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os trechos públicos do inquérito não detalham quais processos ou magistrados tocantinenses estariam sob suspeita.
Tocantins
No Tocantins, a Operação Sisamnes resultou em três prisões em junho de 2025, todas cumpridas em Palmas, por determinação do STF. Foram presos o prefeito da capital, Eduardo Siqueira Campos, o advogado Antônio Ianowich Filho e o policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz. Todos alegam inocência.
As prisões ocorreram no contexto da investigação que apura vazamento de informações sigilosas e a possível venda de decisões judiciais no STJ. Posteriormente, o STF revogou as prisões. Desde então, não houve novos desdobramentos públicos relacionados ao Tocantins no âmbito da Operação Sisamnes, e o caso segue em apuração no Supremo.
