Uma operação policial deflagrada nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, teve alvo no Tocantins ao investigar uma organização criminosa suspeita de furtar cabos, receptar material roubado e lavar dinheiro em vários estados do país. A ação faz parte da Operação Caminhos do Cobre, conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, o grupo movimentou R$ 417.954.201 ao longo de cinco anos, valor que evidencia a dimensão do esquema. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão contra 31 alvos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e no Tocantins.

Durante a operação, policiais apreenderam R$ 132 mil em dinheiro e cerca de R$ 400 mil em contratos de bitcoins, além de materiais metálicos encontrados em locais investigados.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, a organização criminosa possuía uma estrutura dividida em núcleos com funções específicas e atuação em diferentes estados.

Os furtos aconteciam principalmente durante a madrugada. Caminhões eram utilizados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto motocicletas atuavam como batedores para monitorar a presença policial e bloquear vias.

Após a retirada, os cabos eram levados para pontos de fracionamento. Em seguida, o material era vendido a ferros-velhos e empresas de reciclagem vinculadas ao grupo.

Ainda conforme a polícia, o núcleo financeiro da organização emitia notas fiscais falsas para dar aparência de legalidade às transações. Os valores também eram fragmentados por meio de transferências bancárias sucessivas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

As investigações apontam que o principal investigado movimentou R$ 97 milhões, valor incompatível com sua capacidade econômica declarada; uma das empresas consideradas centrais no esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.

Ação mira toda a cadeia do crime

Nesta fase da operação, a polícia também solicitou o sequestro de veículos e imóveis ligados ao grupo, além do bloqueio de ativos financeiros, com o objetivo de interromper a cadeia criminosa e recuperar valores obtidos ilegalmente.

A ofensiva integra uma ação permanente de combate ao furto de cabos e materiais metálicos. Desde setembro de 2024, segundo a corporação, foram realizadas mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, com cerca de 200 prisões de responsáveis por estabelecimentos e a apreensão de aproximadamente 300 toneladas de fios de cobre e outros metais.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e detalhar a participação de cada alvo, inclusive os pontos ligados ao Tocantins dentro do esquema interestadual.