Uma urna funerária identificada pelo povo indígena Javaé na Ilha do Bananal, no Tocantins, está sendo analisada por arqueólogos e pode trazer novas pistas sobre a ocupação humana na maior ilha fluvial do mundo. O artefato foi encontrado na Aldeia Canoanã e recolhido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) durante uma missão técnica realizada no dia 25 de fevereiro.

A descoberta foi comunicada inicialmente pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), após a própria comunidade Javaé localizar o material e acionar os órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio arqueológico.

A partir dessa comunicação, o Iphan organizou uma missão técnica até a aldeia. Em diálogo com as lideranças indígenas e em articulação com a Funai, os especialistas realizaram o recolhimento da urna, que agora será submetida a análises no Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), ligado à Universidade Estadual do Tocantins (Unitins).

Segundo o arqueólogo do Iphan responsável pela missão, Rômulo Macedo, o material passará por exames laboratoriais que podem ajudar a identificar suas características, idade aproximada e o contexto arqueológico em que foi produzido e utilizado.

“Essas análises permitem compreender melhor o objeto e também o ambiente cultural em que ele estava inserido, o que ajuda a reconstruir aspectos da ocupação humana na região”, explicou.

Urnas funerárias são artefatos utilizados por diferentes povos indígenas ao longo da história para o sepultamento de restos mortais, geralmente associados a rituais funerários e práticas culturais específicas. Em muitos casos, esses recipientes eram feitos de cerâmica e enterrados no solo como parte de tradições funerárias antigas.

A Ilha do Bananal, localizada entre os rios Araguaia e Javaés, é considerada uma das áreas mais importantes do país em termos de patrimônio cultural indígena e arqueológico. A região abriga territórios tradicionais de diferentes povos e possui registros de ocupações humanas que remontam a períodos pré-coloniais.

Para o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, a descoberta reforça o papel das comunidades tradicionais na proteção do patrimônio histórico e arqueológico brasileiro.

“Esse trabalho demonstra a importância da cooperação entre as comunidades tradicionais e as instituições públicas para a proteção do patrimônio arqueológico. A partir dessa parceria, conseguimos garantir que materiais como esse sejam estudados com rigor técnico e que contribuam para ampliar o conhecimento sobre a história da região”, afirmou.

Após a conclusão das análises, os resultados serão apresentados à comunidade indígena e também divulgados ao público. Os estudos poderão ajudar pesquisadores a compreender melhor os modos de vida e as práticas culturais de povos que habitaram a Ilha do Bananal no passado.