O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Amélio Cayres, entrou em 2026 como pré-candidato ao governo, mas enfrenta um cenário político cada vez mais estreito dentro do próprio partido, o Republicanos.

A sigla no estado é comandada pelo governador Wanderlei Barbosa, aliado político e amigo pessoal de Amélio. Durante boa parte de 2024, o parlamentar aparecia como o nome mais natural para suceder o governador no Palácio Araguaia.

Esse quadro mudou após o período de três meses em que Wanderlei ficou afastado do cargo por decisão judicial em investigações sobre suspeitas de corrupção. No retorno ao governo, o eixo político do governador passou a se aproximar da senadora Dorinha Seabra, do União Brasil, também pré-candidata ao governo.

Nos bastidores, a senadora é citada como uma das articuladoras políticas que atuaram para a volta de Wanderlei ao cargo. Desde então, a relação política entre os dois ganhou musculatura e o apoio do governador à candidatura de Dorinha passou a ser tratado como o cenário mais provável.

O dilema no Republicanos

Esse movimento cria um impasse para Amélio Cayres dentro do Republicanos.

Caso o partido permaneça na aliança liderada por Dorinha Seabra, o espaço para Amélio disputar o governo pela legenda praticamente desaparece. O próprio governador já declarou publicamente que tanto Amélio quanto Dorinha têm condições de disputar o Palácio Araguaia, mas na prática não há espaço político para dois sucessores no mesmo campo.

A equação coloca o presidente da Assembleia diante de uma decisão estratégica: manter-se no Republicanos, com risco de ver o projeto de candidatura esvaziado, ou buscar uma nova legenda para sustentar a pré-candidatura.

Com a janela partidária próxima do encerramento, a pressão pelo posicionamento tende a aumentar.

As alternativas partidárias

Nos bastidores, dois caminhos são mencionados para Amélio Cayres.

Um deles seria o MDB, comandado no estado pelo deputado federal Alexandre Guimarães, que é pré-candidato ao Senado. Alexandre já declarou publicamente que vê em Amélio um nome competitivo para a disputa ao governo.

Outra possibilidade mencionada é o Solidariedade, presidido no Tocantins por Vilmar de Oliveira. Esse cenário, porém, é considerado mais complexo, já que lideranças do partido mantêm proximidade política tanto com Wanderlei Barbosa quanto com o senador Eduardo Gomes (PL), nomes alinhados ao projeto de Dorinha Seabra.

A variável Vicentinho

Nesse tabuleiro também aparece o deputado federal Vicentinho Júnior, que assumiu recentemente o comando do PSDB no Tocantins.

Vicentinho iniciou movimentações de pré-campanha ao governo e tem relação política próxima com Amélio Cayres. O PSDB, porém, já teria a pré-candidatura colocada, o que reduziria o espaço para Amélio dentro da legenda.

Uma alternativa comentada entre aliados seria um eventual recuo de Vicentinho para disputar o Senado, hipótese que já apareceu em outras articulações políticas. Nesse cenário, PSDB e MDB poderiam compor uma chapa com Alexandre Guimarães e Vicentinho em posições majoritárias, abrindo espaço para Amélio na disputa ao governo.

O tempo político

Enquanto essas possibilidades circulam nos bastidores, Amélio Cayres mantém o discurso de que possui legitimidade para disputar o governo do Tocantins.

Mas o avanço da pré-candidatura de Dorinha Seabra e o alinhamento político do governador Wanderlei Barbosa com a senadora tornam cada vez mais difícil a permanência de Amélio no mesmo campo político.

Na prática, o presidente da Assembleia enfrenta um momento clássico da política: separar a amizade do projeto eleitoral.

E, para levar adiante a candidatura ao governo, a decisão sobre o partido pode deixar de ser apenas uma possibilidade para se tornar uma necessidade nas próximas semanas.