A senadora Dorinha Seabra (União Brasil), candidata ao Governo do Tocantins, evitou nesta quarta-feira, 19, declarar apoio a um candidato à Presidência da República e afirmou que pretende ouvir aliados antes de definir sua posição na disputa nacional. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao Jornal Opção Tocantins, durante a inauguração do comitê oficial de sua campanha, em Palmas.

Questionada sobre como se posicionará diante da decisão de seu partido de manter neutralidade na eleição presidencial, Dorinha disse reunir apoiadores de diferentes campos políticos. “Eu aqui tenho apoiadores de todos os lados. O meu partido e a minha escolha é Tocantins. Eu vou ouvir toda a minha equipe, lógico, os meus candidatos são mais de 148, mas o meu compromisso primeiro é cuidar do estado”, afirmou.

A senadora recorreu à própria trajetória para justificar a posição. Disse que, durante os dez anos em que comandou a Secretaria da Educação e nos mandatos no Congresso, manteve relação com governos de direita e de esquerda para buscar recursos federais. “Eu convivi com todos os governos, de direita e de esquerda, sempre focando no Tocantins”, disse. Dorinha também desafiou outros parlamentares a apresentarem volume semelhante de recursos destinados ao Estado no mesmo período de mandato.

A posição mantém Dorinha sem vinculação pública, neste início de campanha, a uma candidatura presidencial. A composição de seu grupo reúne políticos de diferentes partidos e campos nacionais, entre eles o senador Eduardo Gomes do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, de quem o parlamentar é aliado de primeira hora. A candidata, porém, não informou se pretende anunciar apoio presidencial posteriormente ou manter a neutralidade durante toda a campanha.

Saúde após cobranças no debate

Dorinha também respondeu às críticas sobre a saúde estadual, tema explorado por adversários no debate realizado na terça-feira, 18. A senadora afirmou que a área terá papel central em seu eventual governo e defendeu a atual gestão de Wanderlei Barbosa (Republicanos), seu principal aliado na disputa.

Segundo ela, Wanderlei recebeu o estado com quase dez anos de atraso em concursos públicos, déficit de pessoal e contas pendentes. A candidata citou hospitais em construção e afirmou que pretende concluir as unidades. “Ele está no seu quinto ano de mandato, pegou quase dez anos de atraso, sem concurso público, com um déficit enorme de contas públicas sem pagar. Mas tem hospitais em construção e nós vamos concluir, vamos entregar”, afirmou.

Ao tratar das próprias propostas, Dorinha citou regionalização dos serviços, apoio aos municípios, investimentos na estrutura estadual e ampliação do uso de telemedicina para levar especialidades ao interior. Ela não apresentou, na entrevista, metas de redução de filas, quantidade de unidades a serem entregues ou prazo para implantação das medidas mencionadas.

“Eu não prometo e deixo de fazer. Eu não falo para ganhar voto ou para ter a simpatia de alguém. Se eu tenho condição de fazer, eu vou fazer e nós vamos melhorar a saúde do tocantinense”, afirmou.

A entrevista ocorreu na abertura do comitê da chapa majoritária de Dorinha, evento que também contou com a presença do governador Wanderlei Barbosa e de candidatos e aliados da coligação.