Efeito Alexandre Guimarães e o custo de entrada na disputa federal de 2026
05 fevereiro 2026 às 17h46

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A eleição de Alexandre Guimarães em 2022 expôs uma engrenagem que a política tocantinense conhece, mas raramente admite em público. Terceiro mais votado do estado, com 54.703 votos, o deputado mostrou que, no Tocantins, é possível chegar direto ao topo sem uma trajetória longa no debate local, desde que haja estrutura política, planejamento e recursos suficientes para sustentar uma campanha competitiva.
O estado, ainda jovem e marcado por crises institucionais recorrentes, afastamentos, renúncias e cassações de governadores, formou um eleitorado menos preso a tradições regionais e mais aberto a projetos que se apresentem prontos. Alexandre não inaugurou esse caminho, mas reforçou a percepção de que ele continua aberto. Antes dele, nomes de fora, e até de outro país, já chegaram a prefeituras, ao legislativo estadual e ao Palácio Araguaia.
A base eleitoral construída em Araguaína foi central, mas o fator decisivo não foi popularidade espontânea. Foi organização. Foi caixa. Foi capacidade de montar alianças e ocupar espaços onde havia vácuo político. O recado ficou claro para outros grupos: não é obrigatório “crescer por dentro” para vencer uma eleição federal no Tocantins.
Agora, o movimento é outro. Alexandre trabalha um projeto de Senado e reorganiza o próprio entorno. Raul Guimarães ficou responsável pela manutenção das bases, além de Israel Guimarães vice-prefeito de Araguaína em 2024. Raul surge como alternativa natural para a Câmara Federal caso o irmão avance na disputa majoritária. Se houver recuo, o espaço já está ocupado. Não há improviso, há cálculo.
Esse tipo de engenharia política ajuda a explicar por que a eleição de deputado federal em 2026 tende a ser uma das mais duras, e caras, do estado. São apenas oito vagas. Quem tem mandato larga na frente com emendas, prefeitos aliados, vereadores e visibilidade institucional. O custo para quem quer entrar aumentou, e muito.
Pelo menos três nomes devem buscar a reeleição: Ricardo Ayres, Filipe Martins e Tiago Dimas. Outras cadeiras podem ser abertas com a movimentação de figuras centrais. Além de Guimarães que busca o senado, Vicentinho Júnior tende a disputar o governo. Toinho Andrade avalia a Assembleia. Carlos Gaguim articula um projeto de Senado. Na prática, o espaço existe, mas a disputa será concentrada.
Na fila estão caciques conhecidos: Jair Farias, forte no Bico do Papagaio; Janad Valcari, com estrutura eleitoral montada; Sandoval Cardoso e Mauro Carlesse, ex-governadores com capital político; Cinthia Ribeiro ex-prefeita de Palmas; Fábio Vaz, Secretário Estadual da Educação; Coronel Barbosa comandante da Polícia Militar do Tocantins; e Atos Gomes, Secretário Estaudal de Juventude e Esporte. Entre outros nomes que já circulam nos bastidores, está Alfredo Júnior, empresário fora do meio político, mas que conta com ligações políticas já visíveis e estrutura financeira.
O que a eleição de Alexandre Guimarães deixou claro de forma simples foi: o Tocantins continua acessível a projetos bem financiados e bem planejados, mesmo quando eles não nascem do chão político local. Em 2026, a disputa federal não será apenas sobre quem aparece melhor, mas sobre quem também consegue ter costura política e financeira para entrar, e permanecer, no jogo.
