Esposa de Ataídes cobra mulher de Vicentinho sobre R$ 85 milhões apontados pela PF
04 setembro 2026 às 14h57

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A disputa pelo governo do Tocantins ganhou nesta sexta-feira, 4, um confronto entre familiares dos candidatos. Natália de Souza Povoa, esposa de Ataídes Oliveira (Novo), publicou um vídeo no perfil do marido em que cobra explicações de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, mulher de Vicentinho Júnior (PSDB), sobre R$ 85 milhões em créditos bancários identificados pela Polícia Federal em uma empresa registrada em nome dela.
O vídeo começa com uma fala de Gillaynny durante uma agenda política. “Não é emenda de fulano e de ciclano, é emenda do povo, é trabalho do povo porque nós pagamos nossos impostos”, diz a mulher de Vicentinho.
Na sequência, Natália aparece e dirige a cobrança à esposa do adversário. “Senhora, o povo merece uma resposta? Segundo o relatório da Polícia Federal, a GMD Borba Distribuidora, microempresa registrada em seu nome em São Miguel, recebeu 85 milhões em créditos bancários. A pergunta é simples: de onde vieram esses 85 milhões de reais? Mostre os documentos e explique ao povo.”
“Eu não estou aqui condenando ninguém, estou cobrando transparência. O Tocantins merece saber a verdade”, acrescenta. A publicação recebeu a legenda: “R$ 85 milhões: o Tocantins merece saber de onde veio esse dinheiro”.
O que diz a investigação
Os valores citados por Natália constam de relatório da Polícia Federal no inquérito da Operação Overclean. Segundo a investigação, entre janeiro de 2019 e abril de 2025, a GMD Borba Distribuidora Eireli recebeu R$ 85 milhões em créditos e registrou outros R$ 85 milhões em débitos, totalizando uma movimentação de R$ 170 milhões no período.
A PF classificou a empresa como uma possível “conta de passagem”. A investigação também identificou repasses de empresas ligadas aos irmãos Fábio e Alex Parente, investigados na Overclean, para a GMD Borba. Os investigadores apontaram indícios de que Vicentinho seria o destinatário de parte desses recursos. O deputado nega irregularidades.
A Polícia Federal chegou a pedir busca e apreensão contra Vicentinho e Gillaynny e o bloqueio de R$ 420 mil em bens do casal. Os pedidos foram negados pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou contra a busca.
Ao negar as medidas, Nunes Marques considerou que não havia elementos suficientes para comprovar a ligação entre os pagamentos recebidos pela empresa e a fraude em licitação investigada pela Overclean.
Vicentinho afirmou anteriormente que a distribuidora pertencia ao sogro, morto em abril de 2024. Sobre os pagamentos feitos à empresa da esposa, declarou que se tratavam de “rotinas da minha vida pessoal” e afirmou já ter prestado esclarecimentos no processo.
