Tempo de exposição deve pesar na disputa pelo governo do Tocantins em 2026
07 janeiro 2026 às 19h29

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A disputa pelo governo do Tocantins em 2026 tende a ser marcada menos por novidades e mais pela capacidade de cada pré-candidato converter em voto o tempo de exposição acumulado desde a última eleição. Em um cenário sem nomes de desconhecimento do eleitorado, a identificação do eleitor com figuras que estiveram em campo nos últimos quatro anos surge como um ativo central.
Nesse grupo, a senadora Dorinha Seabra (UB), pré-candidata ao governo, aparece como um dos nomes com maior lastro político. Eleita em 2022, manteve presença constante no estado, com atuação institucional, base eleitoral distribuída e agenda pública conhecida do eleitor. O mesmo vale para os deputados federais Vicentinho Júnior (PP) e Alexandre Guimarães (MDb), que, a partir da Câmara, construíram relação direta com municípios, lideranças locais e destinação de recursos ao longo do atual mandato. Os dois são pré-candidato ao senado, mas os nomes também são ventilados na corrida pelo Palácio Araguaia.
Amélio Cayres (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, também integra esse campo de pré-candidatos com histórico recente de exposição política. À frente do legislativo estadual, tem certo protagonismo institucional e presença frequente nos redutos eleitorais, o que lhe garante capilaridade e reconhecimento em diferentes regiões.
Em comum, esses nomes têm algo decisivo em disputas majoritárias: uma espécie de prestação de contas contínua ao eleitorado. Desde 2022, circularam pelo estado, dialogaram com bases regionais e ocuparam espaços políticos que permitem ao eleitor formar juízo, positivo ou negativo, sobre cada um.
Nesse contexto, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) entra na disputa com uma trajetória distinta. Rompido politicamente com o governador Wanderlei Barbosa, Laurez comandou o estado por cerca de três meses durante o afastamento judicial do titular. O período curto, marcado por medidas administrativas emergenciais e esforços de reorganização interna, limitou a capacidade de avaliação pública de sua gestão interina. Para grande parte do eleitorado, o intervalo não permitiu uma percepção clara de projeto, identidade ou estilo de governo.
Do ponto de vista político, Laurez enfrenta um desafio adicional: concorre contra adversários que, mesmo sem ocupar o executivo, estiveram em campanha permanente nos últimos quatro anos. Em termos de presença territorial, agenda pública e construção de vínculos, seus concorrentes partiram de uma linha mais avançada.
Outros nomes também circulam no cenário estadual, como o ex-prefeito de Palmas e atual vereador Carlos Amastha (PSD) e o ex-governador Mauro Carlesse. Ambos são conhecidos do eleitor, mas largam atrás na corrida, sobretudo pela distância temporal de seus últimos ciclos de protagonismo estadual e pela menor presença contínua no interior do estado no período recente.
O dado central é que, apesar da multiplicidade de possíveis candidaturas, nenhum dos nomes colocados é novo para o eleitor tocantinense. Todos pertencem ao mesmo universo político, com trajetórias conhecidas e histórico público. O diferencial, portanto, não estará na novidade, mas na identidade construída ao longo do tempo.
A experiência recente mostra que campanhas não se vencem apenas com estrutura, marketing ou crença pessoal do candidato. É preciso diálogo, base política, lideranças locais e capacidade de comunicação permanente. Nem toda estratégia publicitária entrega identificação real, e nem todo nome que começa forte mantém desempenho até a reta final. Alguns derretem, outros crescem, e esse movimento costuma refletir a leitura que o eleitor faz de quem esteve presente quando não havia campanha.
No fim, como sempre, a decisão passa pela urna. Mas antes dela, passa pelo campo. E, no Tocantins, quem esteve em campo nos últimos quatro anos larga com vantagem objetiva na largada de 2026.
