O Tocantins ultrapassou a marca de 4,1 mil casos prováveis de dengue nos dois primeiros meses de 2026, em um cenário influenciado pelas condições climáticas típicas do verão. As altas temperaturas, a umidade elevada e o aumento das chuvas favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, aceleram seu ciclo de vida e contribuem para a expansão dos focos do vetor em diferentes municípios do Estado.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 1º de janeiro até esta sexta-feira, 20, o Brasil registra 75.678 casos prováveis de dengue, dos quais 27.069 foram confirmados. No Tocantins, são 4.168 casos prováveis, 1.121 confirmações e seis mortes associadas à doença. No detalhamento por municípios, os maiores do Tocantins, Palmas contabiliza 315 casos prováveis, 95 confirmados e nenhum óbito. Já Araguaína soma 1.753 casos prováveis, 912 confirmações e três mortes confirmadas pela Prefeitura do município.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins informou ao Jornal Opção Tocantins que “o enfrentamento à dengue e às demais arboviroses é prioridade permanente da gestão estadual, realizada de forma integrada com os 139 municípios”. Segundo a Pasta, o Estado atua com vigilância contínua, monitoramento dos indicadores epidemiológicos, capacitações regionais, assessorias técnicas e apoio direto às equipes municipais, com foco no fortalecimento das estratégias de prevenção e controle em todo o território tocantinense.

A Secretaria também comunicou que, entre as ações do trabalho articulado, foi realizada uma reunião técnica com a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas para análise detalhada do cenário epidemiológico e planejamento de novas medidas. O encontro marcou a primeira etapa para a implantação do Método Wolbachia no município. “A iniciativa inovadora recomendada pelo Ministério da Saúde, que é uma tecnologia segura, e que não envolve modificação genética e não oferece risco à população”, destacou.

Ainda segundo a Secretaria, o combate às arboviroses no Tocantins inclui ações contínuas e assessoria às equipes de saúde municipais, além da emissão de alertas sobre o aumento de casos de dengue durante reuniões da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e do Conselho Estadual de Saúde (COSEMS). A Pasta informou que essas medidas buscam apoio para o combate à proliferação do mosquito e a ampliação da estratégia de monitoramento do Aedes aegypti por meio de armadilhas ovitrampas.

A SES-TO acrescentou que identifica áreas críticas para direcionar, de forma oportuna, as ações de controle vetorial e que os alertas sobre o aumento de casos de arboviroses são embasados no monitoramento da situação epidemiológica e na circulação simultânea de diferentes vírus. A Secretaria também relatou a distribuição de insumos, como larvicidas e adulticidas, equipamentos para controle químico de vetores e materiais para o fortalecimento da vigilância entomológica nos municípios. Além disso, informou a realização de exames específicos para dengue, chikungunya e zika pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen).

Vacinação contra a dengue

Em outra nota, a SES-TO informou que, em 2024, o Brasil foi o primeiro país a incorporar a vacina contra a dengue na rede pública de saúde. “Produzida pelo laboratório japonês Takeda, a vacina Qdenga é aplicada em duas doses, destinada para crianças e adolescentes”, comunicou a Pasta.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Secretaria esclareceu que a vacinação com o imunizante Qdenga já foi iniciada em duas regiões de saúde do Tocantins — Capim Dourado e Médio Norte — para a faixa etária de 9 a 14 anos. Na região de saúde Capim Dourado, podem receber a vacina crianças e adolescentes dos municípios de Aparecida do Rio Negro, Fortaleza do Tabocão, Lagoa do Tocantins, Lajeado, Lizarda, Miracema do Tocantins, Miranorte, Novo Acordo, Palmas, Rio dos Bois, Rio do Sono, Santa Tereza do Tocantins, São Félix do Tocantins e Tocantínia.

Já na região de saúde Médio Norte, a vacinação contempla os municípios de Aragominas, Araguaína, Araguanã, Babaçulândia, Barra do Ouro, Campos Lindos, Carmolândia, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Muricilândia, Nova Olinda, Pau D’Arco, Piraquê, Santa Fé do Araguaia, Wanderlândia e Xambioá.

A SES-TO informou ainda que aguarda o envio, pelo Ministério da Saúde, de doses da nova vacina nacional contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan. Segundo a Pasta, o imunizante será disponibilizado em dose única pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em nota, a Secretaria esclareceu que a primeira etapa do novo imunizante corresponde ao quantitativo inicial de doses que ainda serão disponibilizadas ao Estado e que, no início, a estratégia de vacinação será direcionada prioritariamente às equipes da Atenção Primária à Saúde (APS). A ampliação para outros grupos e faixas etárias, conforme informou, ocorrerá de forma progressiva, de acordo com a disponibilidade de novas remessas encaminhadas pelo Ministério da Saúde.

Sintomas da dengue

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da dengue geralmente surgem entre quatro e dez dias após a picada do mosquito infectado e podem variar de leves a graves. Os sinais mais comuns incluem:

  • Febre alta de início abrupto;
  • Dor de cabeça intensa, especialmente atrás dos olhos;
  • Dores musculares e nas articulações;
  • Diarreia;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor nas costas;
  • Manchas vermelhas na pele (exantema);
  • Conjuntivite (olhos vermelhos).

Prevenção

A prevenção da dengue concentra-se na eliminação dos criadouros do mosquito e na proteção contra picadas. Entre as medidas indicadas estão:

  • Eliminar recipientes que acumulam água, como pneus, garrafas e vasos de plantas;
  • Manter caixas-d’água e reservatórios devidamente tampados;
  • Limpar calhas e lajes para evitar acúmulo de água;
  • Utilizar repelentes e roupas de mangas compridas, especialmente durante o dia, quando o mosquito é mais ativo;
  • Instalar telas em janelas e portas para impedir a entrada de mosquitos.