Investigado em esquema bilionário ligado ao Banco Master já prestou depoimento à CPI do PreviPalmas
29 janeiro 2026 às 10h15

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Antes de se tornar alvo da Polícia Federal no escândalo envolvendo o Banco Master, o empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, já havia sido chamado a prestar esclarecimentos no Tocantins em apuração sobre aplicações financeiras do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Palmas (PreviPalmas).
Mansur foi ouvido em abril de 2019 pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara de Vereadores de Palmas para investigar possíveis irregularidades nos investimentos do fundo previdenciário municipal no projeto Cais Mauá, em Porto Alegre (RS). À época, ele integrava a gestão da Reag Investimentos, empresa que assumiu temporariamente a administração do fundo.
Segundo registros oficiais da CPI, a Reag administrou o fundo do Cais Mauá entre fevereiro e abril de 2018. Mansur afirmou aos vereadores que permaneceu na gestão por cerca de dois meses e que deixou a função após a deflagração da Operação Gatekeeper, da Polícia Federal, que investigou os antigos gestores do fundo e resultou no bloqueio judicial de recursos.
Durante o depoimento, Mansur declarou que, quando a Reag assumiu a administração, o fundo dispunha de aproximadamente R$ 4 milhões, dos quais R$ 2 milhões foram bloqueados por decisão judicial a pedido do próprio PreviPalmas. O restante, segundo ele, foi utilizado para pagamento de despesas ordinárias. O empresário sustentou que não identificou irregularidades no período em que esteve à frente da gestão e afirmou que a empresa recebeu do gestor anterior atestados de regularidade e documentação considerada compatível com as normas vigentes.
A CPI também registrou que Mansur participou de reunião técnica, em março de 2018, com o então presidente do PreviPalmas, Maxcilane Fleury, o ex-secretário municipal de Finanças Christian Zini e o ex-procurador-geral do município Públio Borges. De acordo com o empresário, o encontro ocorreu na sede da Reag, em São Paulo, e teve como objetivo discutir aspectos técnicos dos investimentos realizados no projeto Cais Mauá.
Em outro depoimento prestado à comissão, Mansur afirmou que a comunicação entre a Reag e o PreviPalmas se dava, em sua maior parte, por meio do então diretor de investimentos do instituto, Fábio Martins, e que os questionamentos formais encaminhados pela autarquia municipal foram respondidos com a documentação disponível à época.
Na ocasião, o presidente da CPI, vereador Milton Neris (PP), declarou que a comissão não investigava a Reag Investimentos, mas buscava compreender as razões da breve permanência da empresa na administração do fundo e os impactos financeiros suportados pelos servidores municipais.
Operação Compliance Zero
Em episódio recenete, Mansur foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano. A investigação apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, com suspeitas de venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB), em operação estimada em R$ 12,2 bilhões.
Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão, mas não foi preso. No dia seguinte à deflagração da operação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos, que passou a operar sob o nome CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A Polícia Federal investiga suspeitas de que fundos administrados pela empresa teriam sido utilizados para movimentações financeiras irregulares, com indícios de lavagem de dinheiro.
Além da Compliance Zero, Mansur também é citado em investigações da Operação Quasar, que apura a atuação da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado clandestino de combustíveis. Em setembro de 2025, ele renunciou ao cargo de executivo da Reag.
