Orçamento e cenário institucional balizam concursos públicos previstos para 2026 no Tocantins
31 janeiro 2026 às 10h30

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O calendário de concursos públicos previstos para 2026 no Tocantins indica a abertura de novas oportunidades em diferentes esferas da administração. Órgãos estaduais já confirmaram certames ou avançaram em etapas internas que antecedem a publicação de editais, conforme registros orçamentários e administrativos. Nesse contexto, a análise dos concursos previstos para o Estado e para o município de Palmas em 2026 baseia-se, principalmente, nas informações constantes nas leis orçamentárias, aliadas à avaliação do cenário institucional e político do Tocantins.
As perspectivas abrangem setores como segurança pública, gestão, área jurídica e educação. Em dezembro do ano passado, o governo estadual sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, documento que estabelece, entre outros pontos, a prioridade para a realização de concursos públicos ao longo do exercício.
A LDO 2026, publicada no Diário Oficial do Estado em 4 de dezembro de 2025, autoriza a realização de concursos públicos para provimento de cargos na Administração Pública Direta e Indireta. Parte dessas oportunidades depende apenas do cumprimento de trâmites iniciais ou de autorização definitiva do Executivo.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o professor Jorge Gustavo Silva detalhou os principais pontos relacionados às realizações dos concursos públicos. Ele é analista judiciário do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), aprovado em sete concursos públicos, bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Administrativo e Processo Civil, professor de Direito Administrativo e Legislação há 16 anos e mentor para concursos públicos há cinco anos.
O professor Jorge Gustavo afirmou que a análise sobre os concursos públicos previstos para o Tocantins e para o município de Palmas em 2026 parte, principalmente, das previsões constantes nas leis orçamentárias e da leitura do cenário institucional e político do Estado. Segundo ele, esse tipo de avaliação começa necessariamente pelo orçamento. “As leis orçamentárias mostram o que o governo autoriza como possibilidade, não o que está garantido”, explicou.

De acordo com o professor, os dois concursos estaduais considerados centrais e com maior potencial de mobilização são os da Polícia Civil do Tocantins e da Polícia Penal. Ambos constam na LDO, o que, conforme destacou, representa o principal ponto de partida para avaliar a possibilidade de abertura de editais, porque se trata de uma previsão legal expressa. “Quando o concurso aparece nominalmente na LDO, diferencia esse cenário de outras previsões mais amplas”, disse.
Jorge Gustavo ressaltou ainda que existem outras menções a concursos no âmbito do Poder Executivo, mas ponderou que a forma como essas previsões aparecem não permite conclusões seguras. “São previsões genéricas, amplas, e que não autorizam afirmar com segurança que haverá seleção”, disse. “Em experiências anteriores, esse mesmo tipo de previsão constou no orçamento e os concursos não foram efetivamente realizados”, destacou.
Análise do perfil das provas
Nesse contexto, os candidatos precisam estar atentos ao perfil das bancas organizadoras, já que o estilo de cobrança varia de acordo com a instituição responsável pela prova e influencia diretamente a preparação. Quanto ao perfil das provas, o professor observou que, nos últimos anos, há predominância de bancas mais consolidadas no cenário nacional. “Para concursos estaduais, as principais apostas são a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Cebraspe”, afirmou. Já para concursos municipais, especialmente em Palmas, ele citou a Copese da UFT e a Vunesp.

Segundo Jorge Gustavo, cada banca possui características próprias. “O Cebraspe trabalha com o modelo em que uma questão errada anula uma correta, o que exige alto nível de segurança do candidato”, explicou. Sobre a FGV, disse que, embora não adote esse sistema, apresenta provas de elevado grau técnico, com índices de aprovação tradicionalmente baixos.
Ele lembrou que, em concursos recentes da área policial, como o da Polícia Civil do Piauí, o percentual de aprovados foi reduzido, demonstrando o rigor do modelo. “A FGV exige domínio avançado de Língua Portuguesa, principalmente interpretação de texto e gramática”, afirmou. Também é comum, segundo o professor, a inclusão de prova discursiva ou redação em concursos da área policial, tendência observada inclusive no Tocantins. “No caso da Polícia Civil, isso é ainda mais provável, porque é uma carreira voltada à investigação e à atividade intelectual”, disse.
No âmbito municipal, a Copese foi descrita como uma banca que combina cobrança técnica com forte presença de letra de lei e memorização. “Já a Vunesp tem um perfil muito voltado à leitura literal da legislação, exigindo atenção aos detalhes e às pegadinhas da banca”, explicou.
Dicas aos concurseiros
Diante do cenário, a orientação do analista judiciário e professor, Jorge Gustavo, é que os candidatos compreendam o perfil da banca organizadora e direcionem a preparação a partir disso. “A resolução de questões é central na estratégia de estudo”, afirmou. Segundo ele, cerca de 50% do tempo diário deve ser dedicado exclusivamente à prática.
O professor destacou ainda a importância do uso de plataformas especializadas em questões. “Ferramentas como QConcursos e TecConcursos permitem filtrar questões por banca, ano, cargo, matéria e assunto, além de fornecer estatísticas e comentários”, disse.
Para quem pretende disputar concursos em 2026, Jorge Gustavo recomenda iniciar a preparação antes da publicação do edital. Ele lembrou que os editais da área policial costumam reunir um número elevado de disciplinas, como Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direitos Humanos, Língua Portuguesa, Informática, Estatuto da Polícia Civil, Atualidades, História e Geografia do Tocantins, Direito Penal, Processo Penal e legislação penal especial.
Segundo Jorge Gustavo, a preparação exige planejamento de médio e longo prazo. “É preciso estudar a teoria com base no edital do último concurso, fazer revisões periódicas e resolver muitas questões”, afirmou. Ele destacou ainda que existe uma diferença significativa entre ter contato com o conteúdo e conseguir recuperá-lo de forma organizada no momento da prova.
Previsões na Segurança Pública
Entre os concursos estaduais, dois aparecem como os mais relevantes no planejamento orçamentário: os da Polícia Civil do Tocantins e da Polícia Penal. Ambos estão previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que, na avaliação técnica, constitui o principal indicativo formal da possibilidade de publicação de novos editais, já que se trata de uma autorização expressa em lei.
Ao analisar o cenário da segurança pública no Tocantins, o professor destacou o déficit de servidores, especialmente na Polícia Civil. “Hoje existe uma falta expressiva de efetivo, além de problemas estruturais e condições de trabalho que já foram amplamente noticiados”, disse. Para ele, esse contexto evidencia a necessidade de recomposição dos quadros funcionais.
Em relação à Polícia Penal, embora exista previsão orçamentária, Jorge Gustavo afirmou que a probabilidade de realização do concurso é menor. “Essa carreira já apareceu outras vezes no orçamento e o concurso não saiu”, lembrou. Ele acrescentou que, atualmente, “não existe a mesma pressão institucional que a gente observa no caso da Polícia Civil”.
Vale destacar que a Polícia Civil já possui autorização para a realização de um novo concurso público. A comissão responsável pelo certame já iniciou os trabalhos, conforme previsto na LDO e no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. As remunerações previstas podem ultrapassar R$ 18 mil em cargos que exigem nível superior.

Durante a inauguração do novo complexo de delegacias na região sul de Palmas, ocorrida na última quinta-feira, 22, o secretário de Segurança Pública do Tocantins, Bruno Azevedo, e o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) trataram do tema. Na ocasião, o secretário da Segurança Pública do Tocantins, Bruno Azevedo, reafirmou a importância do próximo Concurso PC TO para a Polícia Civil do Tocantins e para a segurança pública estadual. O certame havia sido anunciado pelo governador Wanderlei Barbosa em outubro de 2024, com a indicação de que o edital pudesse ser lançado ainda em 2026.
Sobre a Polícia Civil, os indícios apresentados foram considerados mais consistentes. O professor citou a manifestação pública recente do secretário de Segurança Pública. “Quando um secretário afirma publicamente que o governo pretende priorizar o concurso, isso não é uma fala isolada, é um posicionamento institucional”, explicou.
Indicação de concurso após aprovação PCCR da Polícia Civil
O analista judiciário também destacou o envio, pelo governador Wanderlei Barbosa, à Assembleia Legislativa, do novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da Polícia Civil, também aprovado em dezembro de 2025. “A carreira funciona no regime de subsídio, com parcela única, e a atualização do PCCR, com novas classes e padrões, costuma anteceder a abertura de concurso”, disse.
O texto promoveu ajustes nas carreiras, criou a classe de “substituto” para cargos previstos na Lei nº 3.461/2019 e definiu novos critérios de progressão horizontal e vertical para policiais investidos na carreira a partir de 2014, sem prejuízo das progressões já concedidas. A proposta também atualizou tabelas remuneratórias previstas em leis anteriores, abrangendo ativos, aposentados e pensionistas, com efeitos financeiros a partir de 3 de abril de 2026.
Para este certame, a previsão é de oferta de 381 vagas, além da formação de cadastro reserva, para os cargos de agente de polícia, escrivão de polícia, delegado de polícia, agente de necrotomia, papiloscopistas e peritos oficiais. A expectativa é que o edital seja publicado neste 2026.
O último concurso da Polícia Civil do Tocantins ocorreu em 2014, quando foram disponibilizadas 522 vagas para diferentes funções.
Recentemente, segundo Jorge Gustavo, houve uma alteração legislativa em âmbito federal que impactou todas as polícias civis do país, e o Tocantins incorporou a mudança. Com isso, os cargos de agente e escrivão foram unificados em um único cargo, denominado Oficial de Investigador Policial. Dessa forma, no concurso da Polícia Civil do Tocantins, as vagas que antes eram separadas para agente e escrivão devem ser somadas e computadas no total destinado a esse novo cargo.
Concurso da Saúde do Estado
Anunciado nesta sexta-feira, 30, o governo do Tocantins autorizou o concurso público para a área da Saúde, após 18 anos sem certames. O anúncio foi feito pelo governador Wanderlei Barbosa, acompanhado do secretário estadual da Saúde, Carlos Felinto.
O certame terá 5.124 vagas em 31 categorias profissionais, incluindo 950 para enfermeiros, 1.895 para técnicos de enfermagem, 873 para médicos — 593 delas para especialistas — e 80 para enfermeiro obstetra. A área de fonoaudiologia contará com 80 vagas.
Na avaliação do professor Jorge Gustavo Silva, esse concurso acaba ganhando destaque, pois além de ser período eleitoral, tem previsão orçamentária na LOA e teve o anúncio oficial agora de que se foi autorizado. Ele acrescentou que o certame é de grande porte e provavelmente terá vagas de nível médio, e que o fato de o anúncio ter sido feito pelo governador confere mais legitimidade ao concurso em relação a outros, como o da PCTO.
Prefeituras e órgãos municipais
No âmbito municipal, em Palmas, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê a realização de concurso para o PreviPalmas, com a indicação de 41 vagas para cargos de níveis médio e superior. O texto legal também reserva uma vaga para a Procuradoria do município, sinalizando a possibilidade de um concurso específico para o cargo de procurador, carreira de nível superior e considerada o topo da estrutura administrativa do órgão.
A Prefeitura de Couto Magalhães publicou o edital nº 01/2026 de concurso público com a oferta de 201 vagas imediatas, além de reserva de vagas para pessoas com deficiência. As oportunidades são destinadas a cargos de níveis fundamental, médio, técnico e superior, com contratação pelo regime estatutário.
A organização do concurso está sob responsabilidade do Instituto Americano de Desenvolvimento (IADES). As remunerações variam entre R$ 1.518,00 e R$ 15.102,49, para jornadas de trabalho de 20 a 40 horas semanais, conforme o cargo.
Para o nível fundamental incompleto, há vagas para Auxiliar de Serviços Gerais, Gari, Merendeira, Motorista (categorias B, C, D ou E) e Vigia. Os cargos de nível médio e técnico incluem Agente de Apoio Educacional, Assistente Administrativo, fiscais (ambiental, de obras, de postura e sanitário) e técnicos em Agropecuária, Enfermagem, Higiene Dental e Informática.
No nível superior, o edital contempla funções como Analista Administrativo, Assistente Social, Biomédico, Cirurgião-Dentista, Educador Físico da Saúde, Enfermeiro, Fisioterapeuta, Médico, Nutricionista, Psicólogo e diversos cargos de professor.
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, no site do IADES, das 10h do dia 23 de janeiro até as 23h59 do dia 19 de fevereiro de 2026. A taxa de inscrição varia de R$ 65 a R$ 150, conforme o cargo escolhido.
O processo seletivo será composto por provas objetivas, previstas para os dias 11, 12, 18 e/ou 19 de abril de 2026. Para os cargos de nível superior, também haverá prova discursiva e avaliação de títulos. Já para os cargos de níveis médio e técnico, está prevista a aplicação de prova de redação. O edital completo pode ser consultado no site da banca organizadora.
Processos seletivos: Educação
O Instituto Federal do Tocantins (IFTO) publicou processos seletivos para formação de cadastro reserva de Professor Substituto nos campi Palmas e Araguaína, conforme os editais nº 2/2026 e nº 3/2026.
No Campus Palmas, as vagas contemplam as áreas de Artes, Engenharia Civil, Filosofia, Geografia e Letras – Português/Espanhol. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas entre os dias 14 e 29 de janeiro de 2026, pelo site do IFTO. A remuneração varia de acordo com a titulação, com valores médios entre R$ 5.100 e R$ 5.900 para candidatos com especialização ou mestrado. O salário base para jornada de 40 horas semanais é de R$ 4.580,57, podendo chegar a aproximadamente R$ 7.523,96 para doutores, além de benefícios como auxílio-alimentação, transporte e auxílio pré-escolar.
No Campus Araguaína, o cadastro reserva abrange as áreas de Biotecnologia, Farmácia e Geografia. As inscrições ocorrem de 28 de janeiro a 6 de fevereiro de 2026, por meio de formulário online. A remuneração também depende da titulação, com média salarial entre R$ 5.700 e R$ 7.500, podendo alcançar R$ 8.599,46, além dos auxílios previstos em lei.
Em ambos os campi, a seleção será composta por prova de títulos e prova de desempenho didático, com caráter eliminatório e classificatório, para carga horária de 40 horas semanais. O contrato inicial pode ter duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação por igual período, conforme a necessidade da administração.
Aprovação em concurso muda trajetórias
Além das seleções previstas, histórias de aprovados ajudam a ilustrar os impactos da preparação e do ingresso no serviço público. O concurseiro, publicitário e designer, Miller Freitas relatou ao Jornal Opção Tocantins, que a aprovação para um cargo na Secretaria da Saúde da Prefeitura de Palmas trouxe mudanças significativas na rotina profissional e pessoal após a conquista de um cargo com vínculo estatutário.

“Minha vida mudou completamente com a estabilidade do vínculo estatutário. Venho de um mercado de trabalho instável e extremamente exigente, além de cada dia mais precarizado. Com a aprovação, veio a tranquilidade de poder conciliar a busca por qualidade de vida e crescimento profissional”, afirmou.
Segundo Miller, a estratégia de estudos começou com uma avaliação realista do próprio nível de preparação. Ele explica que definiu o concurso-alvo a partir da realização de simulados e da comparação dos resultados obtidos com as notas de corte de certames anteriores, o que ajudou a direcionar o planejamento.
A preparação também envolveu alternativas para reduzir custos. De acordo com ele, a assinatura de uma plataforma de estudos foi dividida com amigas e parentes, o que permitiu acesso ao conteúdo necessário durante o período de preparação. A rotina de estudos foi estruturada de forma progressiva, com aumento gradual da carga horária ao longo do tempo. “Comecei estudando uma hora por dia e fui evoluindo até a data da prova”, relatou.
