O Conselho Regional de Medicina do Tocantins informou ter identificado atrasos de até cinco meses em repasses financeiros ao Instituto de Doenças Renais do Tocantins, em Araguaína, e apontou risco à continuidade da assistência a pacientes em hemodiálise. A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, por sua vez, afirma que os pagamentos estão regularizados e nega qualquer interrupção no atendimento.

A informação consta em relatório produzido após visita técnica realizada por equipe de fiscalização do CRM-TO na unidade, que atende cerca de 150 pacientes renais crônicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O instituto oferece sessões de hemodiálise e acompanhamento especializado.

Segundo o conselho, profissionais da unidade relataram atrasos recorrentes nos repasses, com períodos que chegam a cinco meses. De acordo com o diretor técnico do instituto, o cenário atual inclui cerca de 90 dias sem pagamento.

O CRM-TO registra que a irregularidade compromete a estabilidade da assistência aos pacientes dialíticos e afeta as condições de trabalho dos profissionais de saúde. O relatório também aponta ausência de renovação contratual formal, fator que, segundo o conselho, gera insegurança jurídica e operacional.

Após a vistoria, o órgão encaminhou ofício ao Ministério Público do Tocantins com relato da situação e alerta para risco de interrupção no atendimento.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins contesta as informações. A pasta afirma que os repasses destinados aos serviços de diálise estão regularizados e que, ao longo de 2025, não houve interrupção ou redução na assistência aos pacientes.

A secretaria informa que o estado conta com quatro unidades prestadoras de serviços de diálise no SUS: Pro Rim Palmas, Pro Rim Gurupi, Renal Center e o Instituto de Doenças Renais do Tocantins. Segundo a SES-TO, o valor total repassado em 2025, com recursos federais, foi de R$ 15.721.024,59.

A pasta declara ainda que não há pendências relacionadas ao tema e que permanece disponível para prestar esclarecimentos.

O CRM-TO informa que acompanha o caso e que a atuação busca garantir a continuidade da assistência e condições adequadas para o exercício da medicina.