Um parecer de 2025 deve voltar à mesa na campanha pelo governo do Tocantins. Adversários da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) preparam a exploração eleitoral de seu voto favorável à regulamentação do homeschooling e pretendem confrontar a candidata justamente no terreno que sustenta sua principal identidade política: a educação.

A cobrança deverá partir de uma contradição que os adversários consideram de fácil compreensão para o eleitor. Filha de professores, ex-secretária estadual da Educação, relatora do novo Fundeb na Câmara e conhecida nacionalmente como “Professora Dorinha”, a senadora foi relatora, no Senado, de uma proposta que autoriza famílias a manter crianças e adolescentes fora da frequência regular à escola e oferecer a educação básica em casa.

O homeschooling se tornou, nos últimos anos, uma bandeira sobretudo de setores conservadores,encabeçados por parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG), e encontrou forte resistência entre entidades e profissionais ligados à educação pública. Nesse campo, uma das principais críticas é que a escola não se limita à transmissão de conteúdo: também exerce funções de convivência, socialização, proteção e identificação de situações de violência, abuso e vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes.

Esse será, segundo interlocutores ouvidos nos bastidores, um dos argumentos usados contra Dorinha. A intenção é colocar lado a lado a “Professora Dorinha”, identidade cultivada durante sua trajetória eleitoral, e a senadora que apresentou parecer favorável ao ensino domiciliar. Não por acaso, entre críticos da proposta, o debate costuma associar o homeschooling à agenda defendida pela direita conservadora e por grupos religiosos.

Dorinha apresentou parecer favorável ao PL 1.338/2022 em outubro de 2025, como destacou matéria do Jornal Opção Tocantins à época. No relatório, sustentou que a modalidade atende a uma reivindicação de famílias que desejam educar os filhos fora do ambiente escolar formal por razões religiosas, filosóficas ou políticas. A senadora também citou a violência nas escolas e experiências internacionais entre os argumentos para regulamentar a prática.

O projeto não determina a retirada de estudantes das escolas nem acaba com a educação presencial. Cria uma alternativa para as famílias que optarem pelo ensino domiciliar, com exigências de matrícula, acompanhamento e avaliações. Para os adversários, porém, a discussão eleitoral deverá ser menos jurídica e mais política.