O clima esquentou na sessão desta terça-feira, 31, na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), com um embate direto entre os deputados Júnior Geo (PSDB) e Léo Barbosa (Republicanos).

O episódio começou quando Geo voltou à tribuna para retomar declarações feitas pelo governador Wanderlei Barbosa na semana passada. Em um evento, o chefe do executivo sugeriu que deputados poderiam abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou pautar um eventual pedido de impeachment relacionado à investigação sobre compra de cestas básicas durante a pandemia.

Ao comentar o tema, Geo classificou como “absurda” a fala do governador e afirmou que, durante o período em que esteve afastado do cargo, entre setembro e dezembro do ano passado, Wanderlei teria atuado para impedir o avanço de um processo de impeachment. O parlamentar também fez críticas à condução da gestão estadual, apontando áreas que, segundo ele, não avançaram.

Na sequência, Léo Barbosa ocupou a tribuna e saiu em defesa do governador. O deputado destacou ações da gestão e citou índices de aprovação, afirmando que responderia a ataques direcionados ao executivo.

O debate seguiu com nova intervenção de Geo, que mencionou a operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades na compra de cestas básicas e resultou no afastamento do governador no ano passado. Ele citou, ainda, a presença de agentes na residência de Wanderlei durante a investigação.

Em resposta, Léo Barbosa afirmou que também foi alvo de diligências da Polícia Federal, com apreensão de celulares em sua casa, e disse que não há irregularidades, sustentando que os fatos serão esclarecidos pela Justiça.

Outros parlamentares participaram do debate. A deputada Vanda Monteiro defendeu o governador e afirmou que Geo teria interesse político em se aproximar do executivo. Já a deputada Cláudia Lelis ressaltou ações da atual gestão.

Ao encerrar a discussão, o presidente da Casa, Amélio Cayres, afirmou que o governo realizou ações, mas acrescentou que o debate político também envolve avaliar “quem pode fazer mais”.

A troca de farpas evidenciou o ambiente de divisão entre base e oposição no legislativo estadual.