MDB de Alexandre Guimarães repete divisão do palanque de Vicentinho entre Lula e Flávio Bolsonaro
13 outubro 2026 às 20h35

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O MDB presidido no Tocantins pelo senador eleito Alexandre Guimarães reproduz, no cenário nacional, uma divisão semelhante à observada na campanha de Vicentinho Júnior (PSDB) ao governo do estado. Nesta terça-feira, 13, Alexandre anunciou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, mas não mencionou que dez diretórios estaduais do próprio MDB declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A divisão partidária encontra paralelo no palanque de Vicentinho, que apoia Flávio, mas reúne lideranças ligadas ao petista, entre elas o vice-governador Laurez Moreira (PSD) e a ex-senadora Kátia Abreu.
Alexandre divulgou um vídeo diretamente de São Paulo, onde participou das reuniões da direção nacional do MDB. Eleito senador com 316.786 votos no primeiro turno, o dirigente afirmou que o partido tocantinense acompanharia a posição favorável ao candidato do PL.
“Estamos agora em São Paulo, capital, onde reuniremos com a cúpula do nosso partido, do Movimento Democrático Brasileiro, declarando o apoiamento ao presidente Flávio Bolsonaro, por aquilo que acreditamos, por aquilo que entendemos ser o melhor caminho para o Brasil nesse momento”, afirmou.
Na mesma declaração, Alexandre vinculou o posicionamento nacional à disputa estadual. “Estamos aqui representando o nosso partido do estado do Tocantins, se juntando ao partido nacional, outros tantos diretórios dos estados do Brasil, para fazer essa declaração de apoiamento, essa caminhada de Flávio Bolsonaro, 22, claro, do lado do Vicentinho Júnior, 45.”
O apoio a Flávio, porém, não representa uma posição unânime do MDB. Dos 27 diretórios estaduais, 17 ficaram ao lado do candidato do PL, enquanto outros dez anunciaram apoio à reeleição de Lula. A manifestação contrária ocorreu horas antes do ato organizado pela direção nacional em São Paulo, com participação do presidente da legenda, deputado Baleia Rossi, e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
Os diretórios favoráveis a Lula são os de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Em nota conjunta, os dirigentes defenderam a continuidade das políticas sociais do governo federal e citaram programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular.
Entre os emedebistas próximos ao presidente estão os senadores Eduardo Braga (AM), Marcelo Castro (PI) e Veneziano Vital do Rêgo (PB), além do ex-governador do Pará Helder Barbalho, eleito senador. O grupo também convocou prefeitos, parlamentares e dirigentes municipais do partido a participar da campanha petista até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No campo favorável a Flávio, o MDB de Goiás acompanhou o governador reeleito Daniel Vilela. Segundo o presidente estadual, Haroldo Naves, a Executiva havia discutido o apoio em reunião realizada em 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno. A posição foi confirmada publicamente durante a passagem do candidato presidencial por Goiânia.
No Tocantins, divisão também aparece na campanha estadual
A composição política de Vicentinho Júnior apresenta uma característica semelhante. Embora o candidato do PSDB tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, sua campanha recebeu, no segundo turno, lideranças que estiveram no campo político de Lula durante a primeira etapa da eleição.
É o caso de Laurez Moreira, que disputou o governo pelo PSD com apoio do PT e teve Paulo Mourão como candidato ao Senado. Eliminado no primeiro turno, Laurez declarou apoio a Vicentinho em 8 de outubro, em entrevista ao Jornal Opção Tocantins.
Outro nome é Kátia Abreu, que atuou na coordenação da campanha de Lula no Tocantins e declarou voto em Vicentinho. A ex-senadora também possui uma ligação familiar com a candidatura tucana: seu filho, Iratã Abreu, foi eleito deputado federal pelo PSDB e integra o grupo político do candidato ao governo.
A presença dessas lideranças não significa que Vicentinho tenha alterado seu apoio presidencial, assim como a adesão de Alexandre Guimarães a Flávio não elimina a posição dos diretórios emedebistas favoráveis a Lula. Nos dois casos, a divisão demonstra que as alianças estaduais não reproduzem integralmente a disputa nacional.
A diferença está na natureza das decisões. No MDB, a divergência ocorre entre diretórios de uma mesma legenda. No Tocantins, aparece na composição de uma candidatura ao governo formada por políticos de diferentes partidos e trajetórias eleitorais. Alexandre Guimarães e Vicentinho Júnior apoiam Flávio Bolsonaro, mas convivem politicamente com aliados que defendem a reeleição de Lula.
