Mesmo sem estatueta, Brasil sai como vencedor no Oscar 2026
17 março 2026 às 09h51

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Em solo americano, o Brasil conseguiu um feito inédito quando falamos em sétima arte: foi indicado a cinco categorias no Oscar. Com o filme “O agente secreto”, o audiovisual brasileiro estava no páreo de melhor filme internacional, melhor elenco, melhor ator – com atuação de Wagner Moura – e melhor filme. Além disso, estava concorrendo como melhor fotografia, com Adolpho Veloso, por “Sonhos de Trem”, mas a estatueta foi para Autumn Durald Arkapaw, a primeira mulher negra a concorrer e ganhar o mais alto reconhecimento do cinema mundial.
O resultado “negativo” – sim, entre aspas – foi comemorado por um seleto grupo contrário à cultura brasileira. Duvidas da capacidade do cinema nacional de produzir bons longas tiveram a rodo em cada notícia que falava da “derrota” do Brasil no tapete vermelho. Entretanto, houve os defensores ferozes que diziam que o cinema brasileiro foi bem representado e que a disputa foi acirrada pelos nomes postos em cada categoria.
Eu confesso que faço parte do último grupo. Afinal, por dois anos consecutivos, o Brasil chega a lugares que por muitos anos foram preteridos. A Academia sempre foi conhecida por dar prestígio a filmes americanos. Como se nenhuma outra nação não fosse capaz de produzir bons longas. O nosso país não é apenas tropical e abençoado por Deus. Ele é tudo isso e muito mais. O país, que é uma força motriz na alimentação do mundo com a nossa produção agrícola, também tem sido exportador de uma gama de produtos audiovisuais de dar orgulho.
Brasil merece ser aplaudido de pé. Na campanha de divulgação, o filme de Kleber Mendonça Filho conseguiu mais de 70 prêmios, dentre melhor diretor, filme e melhor ator. No Globo de Ouro, que é tido como um termômetro do Oscar, recebemos a premiação de melhor filme internacional e Wagner Moura ainda venceu como melhor ator.
Não se pode desmerecer a potência que o cinema brasileiro tem se tornado ano após ano. Não gostar do filme, tudo bem! É um direito seu, mas dizer que o Brasil não sabe fazer filme, aí já é demais. Estamos nos tornando vitrine para todo mundo. E, quando essa roda gira, todo mundo ganha. Milhares de empregos são gerados em uma grande produção. Tem um ganho maior do que gerar renda dentro o seu próprio país contando uma realidade vivida pelo seu povo?
Cultura está atrelada a identidade de um povo. Um povo sem cultura, não tem história, e sem história não tem identidade. Sem identidade, é um país indigente. E, seu povo, ignorante. Nos últimos anos, o entretenimento do Brasil foi alvo de diversas críticas. A Lei Rouanet virou quase um símbolo negativo devido às narrativas falsas sobre o seu funcionamento e importância. Para muitos, seria desperdício investir na área, sob justificativa de que os recursos eram públicos retirados de áreas importantes, como saúde e educação, mas, na verdade, a lei simplesmente oferece descontos nas tributações para empresas PRIVADAS que patrocinam essas obras.
Amar o Brasil acima de todos deve ser muito além de um mero discurso raso de cunho ideológico. Nosso país ter um representante no Oscar é motivo de comemoração como se fosse final de Copa do Mundo. Vestir a camisa verde amarela e comemorar a conquista dos seus. Isso é patriotismo. E, quando falamos em comemoração, o nosso país sabe fazer muito bem ano.
Até para brigar pelos nossos, somos referência. Nas redes sociais, a foto de Wagner Moura no perfil oficial da Academia do Oscar foi a mais curtida de todas as publicações do evento, superando, inclusive, a de Michael B. Jordan, que ganhou como melhor ator. São quase 100 mil curtidas a mais uma da outra e mais de 36 mil comentários. O brasileiro tem o molho.
No ano passado, “Ainda Estou Aqui” trouxe uma estatueta para terras tupiniquins. Nesse ano não deu, mas em 2027, se Deus quiser, teremos outro representante a altura para ser reconhecido em todo globo terrestre. E, mais uma vez, estaremos em torcida para que o Brasil deixe de ser segmentado e passe a ser respeitado por todos, inclusive, pelos brasileiros.
