Com recursos da Lei Paulo Gustavo, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) viabilizou a produção do documentário “O Mês Mais Longo do Ano”. A obra destaca a intensa organização, produção e a realização das quadrilhas juninas no norte e região central do país. O longa-metragem é dirigido pelo cineasta Nival Correia e foi contemplado pelo Edital n° 23/2023 – Audiovisual Tocantins 2023. O trailer foi publicado e pode ser conferido no canal oficial do youtube.

O documentário foi gravado em cinco capitais: Palmas, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. O filme acompanha cinco quadrilhas juninas desde o momento em que começam a pensar o novo tema até as apresentações no período de festas. A produção revela bastidores, processos criativos e o envolvimento de diferentes profissionais, como marcadores, coreógrafos, figurinistas, cenógrafos, maquiadores, músicos, noivos e rainhas juninas.

A ideia do documentário nasceu da vivência do diretor com o movimento junino em Palmas. Ao comentar sobre a motivação para produzir o longa, Nival Correia disse que acompanha as quadrilhas desde que chegou à Capital tocantinense, na década de 1990, e percebeu a necessidade de registrar essa trajetória. “Eu sou profundo conhecedor de quadrilha junina desde quando eu cheguei aqui em Palmas, em 93. Hoje, como cineasta, eu vi que seria bom contar a história das quadrilhas juninas, porque é o ano todo que elas trabalham, pensando, criando, produzindo, apresentando e correndo atrás das apresentações”, comentou.

Segundo o diretor, o registro foi feito desde o início do processo. “Nós retratamos desde a criação da quadrilha, a criação do figurino, das músicas, das coreografias, como compram os materiais, quem trabalha, quem corta, quem coloca os brilhos. Trabalhamos com as equipes de produção, assistimos aos ensaios e às apresentações. Não foi só o ensaio ou só a apresentação, foi desde a fase inicial”, disse.

A produção exigiu acompanhamento contínuo, já que o ciclo junino se estende por praticamente todo o ano. O diretor explica que as gravações começaram ainda na fase de definição das novas temáticas. “Um dos principais desafios é que a gente tem que gravar o ano todo. Quando uma quadrilha termina de apresentar em julho, no mês seguinte já está pensando na próxima temática. Então começamos desde o pensamento da temática até o ápice, que é no mês de junho. É preciso ter calma e cautela para captar todo esse conhecimento”, pontua.

Sobre a circulação da obra, o cineasta informa que, neste momento, apenas o trailer está amplamente divulgado, pois a intenção do autor é inscrever o filme em festivais nacionais e internacionais, que exigem ineditismo para participação. “O filme será enviado para festivais de documentários a nível nacional e internacional. Os festivais não permitem que esteja disponível em outros canais por causa do ineditismo. A gente tem a certeza de que é um material bem feito e queremos que as pessoas conheçam melhor esse trabalho”, explica.

Sobre o produtor

Nival Correia é ator, diretor, produtor cultural e cineasta, com atuação em séries, longas-metragens, curtas-metragens e videoclipes. No campo das séries, dirigiu e roteirizou a produção infantil de ficção “O Boneco de Barro e o Rei”, com 26 episódios de 13 minutos, exibida na TV Brasil, com veiculação na EBC Pernambuco, EBC Bahia e TV Cultura, além de disponível em plataformas de streaming. Também dirigiu “Amazon Fashion”, com 11 episódios de 26 minutos, para o canal Fashion TV da Prime Box Brazil, e “Esporte é Saúde” (2023), série com oito episódios de 15 minutos que aborda a importância do esporte para a saúde mental e física. No cinema, dirigiu e roteirizou o documentário “O Diário de Ana”, que trata do suicídio de jovens no Brasil. Dirigiu o longa-metragem “Anonymous”, sobre as viagens e percepções do fotógrafo Daniel Taveira. Também foi diretor de produção do longa “Sol da Bahia”, com direção geral de Orlando Senna, exibido no CinebrasilTV.

Entre os curtas-metragens, dirigiu “Menina Bonita de Tranças”, selecionado para o Festival de Cinema de Gramado (46ª edição), para a Trakinagem – Mostra de Cinema e Educação de Belo Horizonte (2018), para o 13º Festival Chico de Cinema e Vídeo do Tocantins (2018), para a 18ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (2019) e para o 9º Festival de Cine Estudantil Fenacies, no Uruguai. Dirigiu também o curta “Insolação”, que recebeu Menção Honrosa no Hollywood ShortFest (2026), prêmio de Melhor Som e indicações de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia no Brazil New Visions International Festival, além de indicação a Melhor Diretor em Filme Narrativo Latino no All That Moves International Film Festival, com seleção pela Associação dos Críticos de Cinema do Tocantins, pelo Murundu – Mostra de Cinema e Audiovisual Tocantinense e pelo Crown Point International Film Festival.

No segmento de videoclipes, dirigiu “Atômico”, vencedor do prêmio de Melhor Performance em Videoclipe no All That Moves International Film Festival (2026) e selecionado para o Festival Cine Pupila (Brasil) e para o Crown Point International Film Festival. Ao longo da carreira, foi ainda vencedor do Prêmio Especial e do Concurso Interativo de Trailers, Clipes & Webdocs do Festival de Cinema de Gramado.