Foragido por morte de vigilante em Palmas é irmão de acusado de chefiar organização criminosa em Goiás
01 dezembro 2025 às 13h42

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A Polícia Civil do Tocantins procura Waldecir José de Lima Júnior, suspeito de matar o vigilante Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, na noite do último sábado, 29, em Palmas. Segundo a investigação, o crime ocorreu após uma discussão motivada pela forma como um veículo estava estacionado no estacionamento de uma galeria na 203 Sul. A vítima recebeu atendimento, mas não resistiu ao disparo no abdômen. Waldecir possui registro como CAC e tem mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara Criminal de Palmas. O carro usado na fuga passou por perícia, e as buscas continuam.
Conforme apuração do Jornal Opção Tocantins, Waldecir é irmão de Waldemar José de Lima Neto, réu em processo que apura a atuação de uma organização criminosa armada investigada pela 2ª Vara Estadual de Repressão às Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais de Goiás. Segundo o Ministério Público, Waldemar e um empresário integravam o núcleo de comando coletivo do grupo.
A denúncia, recebida em 15 de julho de 2025, atribui à organização a prática de golpes imobiliários envolvendo imóveis com situação registral irregular, falsificação de documentos, inclusive de Cadastro Ambiental Rural, negociações fraudulentas, esbulhos possessórios e corrupção de policiais militares para expulsar proprietários, intimidar vítimas e cobrar dívidas ilegais. De acordo com o MP, as “diárias” destinadas aos PMs variavam de R$ 250 a R$ 8 mil. O grupo teria atuado a partir de Goiás e mantido ramificações no Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal desde ao menos 2019.
Crimes atribuídos ao grupo
A denúncia lista crimes de organização criminosa (Lei 12.850/13), estelionato em série, falsificação de documentos, corrupção ativa, tráfico e associação para o tráfico de drogas, esbulho possessório, denunciação caluniosa, porte ilegal de arma e falsas comunicações de crime.
Em um dos episódios descritos, uma integrante foi presa em agosto de 2021 transportando 24,7 kg de maconha. Outros 965,5 kg foram apreendidos na residência dela. O MP afirma que Waldemar, Rafael José das Neves e Aristóteles Fonseca Filho se associaram a ela e a outro acusado para viabilizar o tráfico e concorrer para a movimentação da droga apreendida.
O juiz responsável pelo caso, Alessandro Pereira Pacheco, decretou as prisões preventivas de Waldemar e de outros dois réus, com os mandados ainda sem cumprimento. O Ministério Público sustentou risco à ordem pública e possibilidade de continuidade das atividades da organização. Outros sete acusados receberam medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato, comparecimento a todos os atos processuais e restrições de deslocamento.
A Justiça determinou o sequestro de bens e a indisponibilidade de loteamentos ligados à empresa Norte Sul Consultoria, Projetos e Construções, até o limite de R$ 21,4 milhões. Também foram arrestados veículos como uma Toyota SW4, uma Chevrolet Trailblazer e uma BMW X1.
Revisão judicial
Em 15 de outubro deste ano, o juízo reavaliou a necessidade de manter as prisões preventivas, nos termos do art. 316 do Código de Processo Penal, e decidiu preservar o decreto de prisão dos réus. O magistrado ressaltou que pedidos de habeas corpus das defesas foram negados em decisões anteriores. O processo segue aguardando a apresentação de respostas à acusação por todos os envolvidos.
Os autos de Goiás e do Tocantins confirmam que Waldecir José de Lima Júnior (procurado por homicídio em Palmas) e Waldemar José de Lima Neto (réu e foragido em Goiás) são irmãos. Ambos têm prisões preventivas decretadas por fatos distintos e em estados diferentes.
A Polícia Civil do Tocantins segue em busca de Waldecir. Informações podem ser repassadas ao WhatsApp da 1ª DHPP, (63) 8131-8454, ou ao Disque-Denúncia 197.
