A Justiça determinou o bloqueio de R$ 376,4 milhões em ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes ao empresário Daniel Vorcaro, ao ex-sócio do Banco Master, Maurício Quadrado, e ao fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur. A decisão impede a venda dos papéis enquanto seguem as investigações relacionadas à negociação entre o banco público e o Master.

Segundo fato relevante divulgado pela instituição, o bloqueio foi comunicado ao agente de custódia, o Banco Bradesco, responsável por impedir qualquer tentativa de alienação dos ativos. Na prática, as ações adquiridas pelos investigados como pessoas físicas ficam congeladas e não podem ser negociadas no mercado. O valor retido poderá, eventualmente, ser utilizado para recompor o patrimônio do BRB. O processo tramita sob sigilo.

A medida ocorre no contexto das apurações sobre a compra de mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. Há indícios de fraude na operação, e a estimativa preliminar aponta para possível prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões. O impacto financeiro definitivo deve constar no balanço da instituição previsto para março. Desde o anúncio do negócio, a operação pressionou os indicadores de capitalização do banco e gerou repercussão no mercado financeiro.

As investigações ganharam novo capítulo em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar suspeitas de irregularidades na negociação. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por decisão judicial e posteriormente demitido.

Paralelamente, o Banco Central do Brasil rejeitou, em 3 de setembro de 2025, a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. O negócio, anunciado em março do mesmo ano, previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master, e era classificado pela direção do banco público como estratégico.

Antes mesmo da decisão do regulador, analistas do mercado já questionavam o modelo de captação do Banco Master e a qualidade de parte dos ativos envolvidos na transação. Documentos indicam que o Ministério Público Federal recomendou ao BRB que comprovasse a lisura e a veracidade dos ativos antes de concluir qualquer negociação. O órgão alertou para o risco de passivos ocultos e ativos superavaliados, com potencial de comprometer recursos públicos e gerar prejuízos à instituição.