A pressão de agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE) contra o senador Irajá (PSD) ganhou um novo capítulo nas redes sociais. Em uma publicação recente, mais de 500 comentários foram registrados em poucas horas, a maioria cobrando a apresentação do relatório da PEC 14/2021 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

As mensagens seguem um padrão claro: cobrança direta, críticas à demora e alertas sobre possíveis consequências políticas. Frases como “Cadê o relatório da PEC 14?”, “Sem relatório, sem voto” e “Cumpra sua palavra” se repetem ao longo da publicação, evidenciando a mobilização coordenada da categoria no ambiente digital.

Em diversos comentários, os profissionais destacam o tamanho da categoria e o peso eleitoral que ela pode representar. “Vamos lembrar de você nas urnas, senador”, escreveu uma usuária. Outro comentário afirma: “A nossa categoria é grande e não é desfazendo dela que você irá se reeleger”. Há ainda apelos mais incisivos, pedindo que o senador repasse a relatoria da proposta caso não avance com o parecer.

A mobilização também envolve a tentativa de pressionar outros parlamentares. Em algumas mensagens, usuários marcam o senador Omar Aziz, solicitando que ele intervenha junto a Irajá para acelerar o andamento da matéria.

A insatisfação nas redes reflete um movimento mais amplo que já vinha sendo registrado em Brasília. Nos últimos dias, comitivas de agentes de saúde de diversos estados estiveram no Congresso Nacional e chegaram a ir ao gabinete do senador para cobrar pessoalmente a entrega do relatório. A categoria afirma que havia a expectativa de apresentação do parecer no início de abril, o que não se concretizou.

A PEC 14/2021 é considerada uma das principais pautas dos agentes de saúde em nível nacional. A proposta prevê aposentadoria especial, com integralidade e paridade, para os profissionais, sob o argumento de que exercem atividades em condições insalubres e de risco.

Diante da crescente pressão, o senador já declarou publicamente que não pretende acelerar a tramitação sem análise cuidadosa. A fala, no entanto, não reduziu a insatisfação da categoria, que mantém a mobilização tanto presencial quanto digital.

Até o momento, não há data confirmada para a apresentação do relatório na CCJ. Enquanto isso, o volume de cobranças nas redes sociais indica que o tema deve continuar gerando desgaste político e ampliando o debate público sobre a proposta.